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VOCABULÁRIO HERÁLDICO


segundo o 'Armorial Lusitano', de Afonso Eduardo Martins Zúquete.
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A.
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ABARCA. Variedade de calçado rústico, feito de couro por curtir, que foi usado na Península pelos serranos. É a sandália, formada de sola, com tiras para atar no pé. Abarca e alparca são, pois, a mesma coisa, mas andam muito alteradas na armaria, por desconhecimento da sua forma ou por estilização que lhe deram os artistas que as representaram.

ABELHA. Inseto que se representa posto em pala, com as asas meio abertas, visto pelas costas.

ABERTO. Palavra que se aplica ao castelo, torre, torreão ou qualquer porção de muralha onde haja uma porta de esmalte diverso do da construção em que se encontra.

ABISMO (EM). A peça está posta em abismo se, apesar de se encontrar no centro do campo, é de menor tamanho do que as restantes que a acompanham e, quase sempre, se descreve em derradeiro lugar.

ABOCADO. Quando uma peça tem as suas extremidades dentro da boca de animais, diz-se abocada ou engolida.

ABOTOADO. Se a rosa heráldica tem o botão de esmalte diverso do das pétalas diz-se abotoada desse esmalte.

ABROLHO. É uma peça de ferro, de quatro pontas unidas na base, divergentes e de extremidades eqüidistantes, a qual, quando posta no terreno, assenta sempre em três das pontas, ficando a outra vertical, voltada para cima. Tem por sinônimo estrepe.

AÇAMADO. Termo que se emprega para indicar que o urso tem açamo, sendo preciso dizer qual o seu esmalte se for diverso do que tem o animal.

ACANTONADO. Estão acantonadas quatro peças móveis postas uma em cada cantão do escudo, assim como o mesmo número de peças iguais que na bordadura se encontrem uma em cada ângulo do escudo. Não é sinônimo de cantonado.

ACESO. Qualquer coisa que tenha chama, como brandão, facho, brasa, fogueira se diz acesa se as suas chamas forem de esmalte diverso.

ACHA DE ARMAS. Dá-se este nome ao machado de guerra, o qual tem folha larga de gume em arco de círculo e na parte contrária a esta uma ponta aguçada, curva, virada para baixo. A parte superior do machado termina por uma ponta curta e forte, como a da lança, e para baixo prolonga-se revestindo o cabo quase até meio da haste. Pode ser encabada de outro esmalte.

ACOMPANHADO. Estão acompanhadas as peças principais quando as secundárias se encontram postas acima, abaixo dela ou à sua volta. Assim, se dizem acompanhadas em chefe, em ponta ou em orla. Podem estar acompanhadas a faixa, a banda, a barra e a asna, mas não o chefe. Não se diz que a pala está acompanhada, termo que se substitui por acostada e lajeada. Quanto à cruz usa-se dizer que se acha cantonada. Sendo duas peças iguais às que acompanham a faixa, a banda ou a contrabanda, não é necessário mencionar a sua posição pois elas ficarão uma acima e outra abaixo da peça principal, alinhadas em pala. Quando a faixa, a asna ou uma peça móvel for acompanhada de outras três iguais, estas ficarão duas em cima e uma em baixo da peça principal, pelo que também não é preciso indicar a posição por ela ser a vulgar. Tratando-se do acompanhamento em chefe se diz, quase sempre, estar a peça principal encimada pelas que ocupam aquela posição.

ACOSTADO. Encontra-se acostada à peça principal, posta entre duas secundárias, alinhadas em faixa. A única peça honrosa de primeira ordem que pode estar acostada é a pala. É seu sinônimo ladeado.

ADARGA. Escudo pequeno, de forma oval ou de coração convexo e tendo quase sempre bordadura.

ADOSSADO. Quando duas peças cujo contorno é irregular estão lado a lado e de costas uma para a outra se dizem adossadas. Também se pode dizer que a do flanco esquerdo está voltada.

AFIVELADO. Termo que se aplica à coleira dos animais, quando tem fivela, ainda que não varie de esmalte.

AFRONTADO. Diz-se tanto de duas peças de contorno irregular, como de dois animais, quando estão com as frentes voltadas uma para a outra. Quando se trata de animais é sinônimo de batalhante.

AGUADO. Termo que serve para designar as ondulações do rio, mar, etc., figuradas por traços de esmalte diverso do que tem a peça.

AGUÇADO. Qualquer peça comprida, móvel ou não, que tem uma ou ambas as extremidades cortadas em ponta. O aguçado pode ser em chefe, em ponta, à direita ou à esquerda e duplo, se forma dois bicos, como na cruz de Malta. Não é neste caso, como o pé aguçado da cruz, nem como de outra peça, pois a ponta duplamente aguçada equivale a ter-lhe cortado um bocado em ângulo reto, cujo vértice fica na linha média longitudinal.

ÁGUIA. Representa-se geralmente com as asas abertas, de pontas voltadas para cima, a cauda espalmada, as pernas abertas com as garras estendidas, a cabeça voltada para o flanco direito, ereta, com a língua de fora. Nesta posição chama-se estendida. Se tiver duas cabeças, em fugida, representa-se de igual modo quanto ao resto. Também se chama águia imperial por ser a insígnia peculiar do Sacro Império Romano. As vezes figura somente meia águia nos escudos, partida de alto a baixo, pelo que tem de ser a de duas cabeças, a fim de, quando aparece no segundo quartel do partido, não ficar acéfala. As águias devem-se representar muito estilizadas, com as asas bem espalmadas e de penas afastadas. Podem ter partes do corpo de esmaltes diversos do deste e, portanto, serem bicadas, lampassadas, sancadas e armadas e ainda estarem coroadas ou diademadas.

AGUIETA. Designação que toma a águia quando está em número superior a um. 

ALÃO. Cão de fila. V. Cão.

ALBARRADA. Jarra para flores, que se representa com duas asas.

ALCACHOFRA. Nome por que se designa, também, a flor do cardo, que pode ser usada como peça móvel. Quando está na planta, o seu esmalte é, às vezes, diverso.

ALCÁÇOVA. Castelo de forma especial, que necessita de descrição pormenorizada. V. Castelo.

ALEONADO. Diz-se do leopardo quando está rampante, por esta posição ser a habitual do leão.

ALEOPARDADO. Diz-se do leão quando está na posição peculiar do leopardo, isto é, passante.

ALERIÃO. Se as aguietas se figuram sem pés nem bico e de vôo abatido denominam-se aleriões e representam-se, quase sempre, de negro.

ALINHADO EM. Por esta expressão se quer dizer que as peças têm o mesmo alinhamento daquela a que se referem. Três peças alinhadas em banda estão na posição que ocupariam se nela assentassem. Não se deve tomar por sinônimo de posto em.

ALMARRAXA. Peça do feitio de uma garrafa grande, com o gargalo curvado em ângulo quase reto, terminado em crivo de forma circular. É o regador árabe e como tal possui uma asa idêntica à dos regadores atuais e tem na parte superior uma abertura por onde se enche.

ALPARCA. O mesmo que sandália, mas que alguns representam como uma bota, aberta dos lados. Pode ter forro e sola de esmaltes diferentes. V. Abarca.

AMEIADO. As peças que têm o bordo superior em forma de ameias dizem-se ameiados, sendo preciso mencionar o seu número, quando se trate de peças honrosas. As ameias são as partes salientes e as metades que se encontram nos extremos ou meias-peças, devendo-se dizer quantas são aquelas e estas. Tem por sinônimo crenelado.

ÂNGULO DO ESCUDO. Embora o escudo só tenha dois ângulos, os superiores, consideram-se as partes da ponta, que se encontram opostas àqueles, como ângulos, pelo que os primeiros se chamam ângulos do chefe e os segundos ângulos da ponta, distinguindo-se, ainda, se é o direito ou o esquerdo. Quando se mencionam em diagonal pode-se dizer apenas a posição do primeiro do chefe, indicando a circunstância de o outro estar oposto.

APONTADO. Quando as peças se tocam pelas pontas dizem-se apontadas. V. Unido. Aplica-se também este termo à rosa heráldica se tem pontas de esmalte diverso.

AQUEDUTO. Construção destinada a conduzir água, representada por três ordens de arcos, umas sobre as outras, e firmada nos flancos.

ARCADO. Termo pelo qual se indica que a rodela tem virola e arcos de esmalte
diverso.

ARCO. Peça que serve para arremessar a flecha, com a qual é representada. Compõe-se de uma parte chamada propriamente arco, que pode ser de um ou de mais esmaltes, neste caso representados por filetes unidos e paralelos, postos em todo o comprimento da peça, da corda que une as duas extremidades do arco, chamadas empolgadeiras, e da flecha. O arco não tem posição própria, pelo que é preciso mencioná-la, porquanto pode estar em pala, em faixa ou em banda, caso a flecha se não encontre encochada, pois se o estiver a sua posição é dada pela que for indicada para a flecha, sempre perpendicular ao arco. V. Arco turquesco.

ARCO TURQUESCO. Por este nome se designa o arco de arremesso de flechas que tem a parte central reta e as dos lados levemente curvas, estando a convexidade voltada para o atirador. V. Arco, Empolgadeira e Encochado.

ARDIDO. Diz-se do galo que está em ato de agressão, com a pata direita alçada.

ARGOLADO. Termo que se aplica ao encontro de boi quando lhe trespassa as ventas um arganel, que tanto pode ser do mesmo esmalte, como de diverso.

ARMADO. Se os animais têm as unhas ou garras de outro esmalte diz-se que estão armados dele. O mesmo termo se aplica, em iguais circunstâncias, ao boi, ao carneiro e ao veado, quanto às suas hastes. Na serpe significa que não são apenas as unhas, mas as cartilagens ou dedos que dividem a membrana das asas, que estão noutro esmalte.

ARMINHOS. Pele que na armaria se representa por campo de prata semeado de mosquetas de negro. Quando o campo não for semeado de tais pontos tem de se indicar o esmalte do campo e o número e posição das mosquetas.

ARQUEADO. Emprega-se este termo para designar o esmalte dos círculos do mundo, quando são de outro. Dá-se o mesmo nome às linhas que limitam em curva a faixa e também ao cortado feito por um arco de circulo.

ARRANCADO. Tanto se pode dizer de árvores, como de animais. Quanto àquelas, significa que têm as raízes à vista, as quais podem ser de esmalte diferente; quanto a estes, que as suas cabeças se apresentam separadas dos corpos e não estão cortadas, isto é, com a linha de separação reta, mas sinuosa, às pontas, indicando haverem sido arrancadas.

ARRUELA. É um pequeno disco de cor, no que diverge do besante. V. Arruela-besante.

ARRUELA~BESANTE, Peça redonda, dividida por um traço horizontal ou vertical, em que a primeira parte do cortado ou do partido é de cor e a segunda de metal, do que tira o nome, pois representa meia arruela ligada a meio besante. Diferente de besante-arruela.

ASA. Põe-se sempre com a ponta voltada para cima. Se forem duas, estão unidas e adossadas, com as pontas para o alto, voltadas para os lados, formando uma só peça. Estas podem ser à antiga, não se encontrando adossadas, mas paralelas, com as pontas para cima.

ASNA. Peça semelhante a um esquadro, de ângulo inferior a 45º, com as hastes partindo dos ângulos da ponta e cuja parte superior fica distante do bordo do chefe uma duodécima parte da largura do mesmo.

ASPA. Peça formada pela banda e pela barra, sobrepostas. Tem a forma de X e está firmada nos ângulos do escudo. Usa-se também solta, mas esta circunstância só e mencionada quando não se encontra na bordadura.

ASPA (EM). Posição das peças quando afeta a forma da aspa. V. Sautor (em), que é sinônimo e expressão mais usada.

ATRAVESSANTE. Quando uma peça passa por cima de todo o campo e peças que o carregam, atravessando de um ângulo ao oposto ou de um bordo ao contrário, diz-se atravessante ou atravessante sobre tudo. Significa o mesmo que brocante, aplicando-se porém com maior propriedade do que este termo por dizer respeito a peças que cortam o campo de um extremo ao outro.

AZUL. Em cor representa-se pelo azul ultramarino, que é o tom heráldico, e em gravura por traços horizontais a toda a largura do escudo ou da peça, eqüidistantes e contínuos.
 

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B.
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BAIXO (NO). Expressão que serve para designar a parte inferior do campo e é oposta à em chefe. São seus sinônimos, ponta do escudo ou pé do escudo.

BANDA. Peça normalmente igual, na sua largura, à terça parte da do escudo e disposta em diagonal, firmando-se nos ângulos direito do chefe e esquerdo da ponta.

BANDEIRA. Tem a forma quadrada e dispara para o flanco direito. V. Pendão.

BARRA. Peça normalmente igual, na sua largura, à terça parte da do escudo e disposta em diagonal, firmando-se nos ângulos esquerdo do chefe e direito da ponta. Tem posição contrária à da banda, porquanto se chama também contrabanda.

BASTÃO. É a banda reduzida à terça parte da sua largura habitual. Tem por sinônimo cotica.

BASTÃO DECOTADO. Peça móvel constante de um filete reto que tem de ambos os lados, alternadamente, pequenas saliências que lembram ramos cortados ou decotados.

BASTILHADO. Estão bastilhadas as peças que têm o bordo inferior em forma de ameias. E, portanto, o inverso do ameiado ou crenelado e representa-se de modo igual. Se as peças forem honrosas de a ordem deve-se sempre indicar o número das peças e meias-peças que formam o bastilhado. As peças do bastilhado são as salientes, assim como as meias-peças, encontrando-se estas nas extremidades. As partições do escudo podem ser, também, bastilhadas, porém só o cortado, o fendido e o talhado o permitem.

BATALHANTE. Designação usada para indicar que dois animais estão em atitude de combate. É sinônimo de afrontado.

BESANTADO. Significa que o campo ou alguma peça, honrosa ou principal, se encontra semeada de besantes ou que está carregada deles, sem número. Quando o número das peças é determinado tem de se indicar na descrição.

BESANTE. Disco de metal. Pode ser carregado de cruz ou figurado. V. Arruela e arruela-besante.

BESANTE-ARRUELA. Peça idêntica à arruela-besante, variando apenas em ter a primeira parte do cortado ou do partido de metal e não de cor. V. Arruela-besante.

BESTA. Arma de guerra que se representa com a corda retesada e o virote ou encochado. A sua posição é em pala, voltada para cima, sendo necessário, quando for outra, indicá-la.

BEZERRA. Bovídeo representado sem hastes, passante, com pequena cauda, caída. V. Boi e touro.

BICA. Cano por onde sai a água da fonte. o qual se figura em faixa, voltado para a direita, jorrando água.

BICADO. Termo indicativo de que a ave respectiva tem o bico de esmalte diverso.

BILHETA. Tem a forma de um retângulo, empregando-se como peça móvel, posta, quase sempre, com os lados maiores voltados para os flancos. Na posição contrária diz-se deitada.

BOI. Representa-se sempre passante, assim como a vaca, que, para se distinguir do macho, deve ser figurada com os úberes, ambos os animais postos de perfil e esta, com a cauda passada por entre os quartos traseiros voltada para cima, assentando no flanco esquerdo e indo até o dorso. Podem ser armados, unhados, coleirados e chocalhados de outro esmalte. As cabeças de Boi vêem-se normalmente de perfil, se bem que se possam apresentar de frente, chamando-se, então, encontro de boi, o qual pode ser argolado de esmalte diverso.

BOLOTA. Fruto do carvalho e do sovereiro, também chamado lande.

BORDADO. Se na peça há um filete de outro esmalte nos bordos diz-se bordada dele. É diverso de perfilado.

BORDADURA. Peça colocada em volta do campo do escudo, limitada exteriormente pelos bordos deste e cuja largura normal é a da sexta parte da do escudo.

BORDO DO ESCUDO. Assim se denomina a linha de contorno do escudo. Embora se possa aplicar o termo bordo a qualquer parte do contorno, costuma-se, apenas, usá-lo nas relativas ao chefe e à ponta, chamando-lhes bordo superior e bordo inferior. V. Flanco.

BRAÇO. É a parte do corpo humano que se usa mais na armaria, quer representando o direito, quer o esquerdo, nus, vestidos ou armados, conforme se acham, sendo os primeiros de carnação, os segundos com manga do esmalte que se apontar e os últimos recobertos das peças da armadura do esmalte que for indicado. O braço, sendo inteiro, pode estar curvado. Também se emprega o meio-braço. Quando na armaria portuguesa se diz um braço, trata-se sempre do direito. Podem-se representar os dois, conjuntamente. V. Encurvado.

BRANDÃO. Nome da tocha ou archote, com chama, cuja posição normal é em pala, podendo estar noutra posição, a qual se deverá indicar. V. Aceso.

BRICA. É a quarta parte do primeiro cantão ou seja a décima sexta do escudo, a qual se usa somente no ângulo direito do chefe, onde o seu esmalte substitui o do campo e não se sobrepõe ao dele, pelo que fica no mesmo plano. Se no campo houver qualquer peça, quer móvel, quer não, ela não cede lugar à brica, deslocando-se, mas conserva o seu, embora cerceada. Se no campo houver alguma peça que seja necessário manter visível, a brica pode ser reduzida.

BRIDADO. Indicação de o cavalo ter cabeçada, freio e rédeas, quer sejam do mesmo metal, quer de diverso.

BROCANTE. Aplica-se à peça que atravessa os diferentes esmaltes do campo ou passa por cima de outras peças. V. Brocante sobre tudo e atravessante.

BROCANTE SOBRE TUDO. Diz-se da pala, faixa, banda, etc., postas sobre o campo e todas as outras peças nele existentes. É sinônimo de atravessante. V. Brocante.

BROQUEL. Assim se denomina um escudo de forma redonda.

BURELA. Desdobramento da faixa, em número superior a quatro.

BUZINA. É o mesmo que trompa.
 

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C.
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CABEÇADA. Conjunto de correias ligadas umas às outras, que formam a parte do arreio do cavalo posta em volta da cabeça. V. Cavalo.

CABRA. Animal representado com os chavelhos encurvados para trás e de pêlo corredio. Para a posição v. Carneiro.

CADEIA. É a corrente formada de elos alongados, que se denominam fuzis. Quando posta no interior do escudo em posição paralela aos bordos representa-se fechada, com oito fúseis, estando dois no chefe, dois em cada flanco e dois na ponta, estes encurvados de harmonia com a forma do escudo. O número dos fúseis da cadeia pode variar se as circunstâncias o exigirem. A cadeia posta em banda consta de três fuzis e dois meios-fuzis. Na pala e na faixa tem menos uma peça inteira.

CALDEIRA. Panela esferóide que tem um arco ou aro em volta da boca, o qual termina a cada lado num gancho com a ponta voltada para baixo. A asa tem as pontas terminadas em gancho voltado para cima, os quais entram nos do arco.

CAMISA DE ARMAS. Peça defensiva do tronco, em forma de túnica, constituída por várias camadas de tela grossa e coberta de rede feita de tiras de couro cru. Descia até os joelhos e as mangas não passavam abaixo dos cotovelos.

CAMPANHA. É sinônimo de contrachefe.

CAMPANHA DIMINUTA. É a campanha reduzida a um terço da sua largura ordinária. O mesmo que contrachefe diminuto.

CAMPO. Fundo em que assentam as peças contidas no escudo. Se for liso, isto é, sem peças sobre ele, diz-se pleno.

CANEIRO. Nome do caminho coberto que circundava a fortificação sem fosso, chamando-se, também, assim, a elevação do terreno existente em todo esse caminho pela parte de fora para o proteger. Na sua representação deve tapar a porta de modo que somente se veja a parte superior dela.

CANELADO. Estão caneladas as peças em que os bordos livres não são linhas retas, mas formadas por arcos semicirculares miúdos, postos lado a lado, com a parte convexa voltada para o exterior.

CANTANTE. Termo que indica estar o galo com o bico aberto.

CANTÃO. Uma das quatro partes do campo deixadas livres pela cruz chã, nos ângulos do escudo, numeradas pela mesma ordem das divisões do esquartelado ou designadas pela sua posição relativamente à direita e esquerda do chefe e da ponta. É igual à nona parte do escudo. V. Franco-cantão.

CANTONADO. Aplica-se este termo à cruz quando uma ou mais peças móveis a acompanham, postas nos cantões do escudo. Diverge de acantonado, embora se trate de quatro peças postas nos cantões, pois no caso acima acompanham uma peça, o que não sucede neste.

CÃO. Representa-se de perfil, em várias posições, como parado, passante, corrente, deitado, rampante e sentado. Pode estar coleirado, circunstância que precisa de menção. Quando é cão de fila chama-se também, alão. O galgo se designa por este nome.

CAPELA. Assim se chama a grinalda de flores de cores diversas e folhagem verde.

CARAPETEIRO. Árvore grandemente estilizada, em forma de candelabro com sete braços, que representa a cerejeira brava, conforme dizem alguns autores.

CARBÚNCULO. Pedra preciosa vermelho-escura, vulgarmente chamada rubi. Representada com os reflexos que emite, chama-se em armaria raios de carbúnculo.

CARDO. Planta que se representa com ou sem flor. Também se emprega só a flor ou alcachofra.

CARNAÇÃO. Quando as várias partes do corpo humano se representam ao natural, ou de sua cor, diz-se de carnação.

CARNEIRO. Animal lanígero representado passante ou saltante e cujos chavelhos podem ser de esmalte diverso, do qual se dizem cornutos.

CARREGADO. Designação dada à peça em que assentam no todo uma ou mais peças móveis, sem ultrapassarem os limites da que lhes serve de campo.

CASCO. Peça defensiva da cabeça, feita de ferro, sem gorjal nem viseira. É diversa de elmo.

CASCULHO. Nome da cápsula que envolve a parte inferior da bolota e de onde sai o pedúnculo.

CASTELO. Fortaleza que se representa geralmente por um pano de muralha ameiado, com porta central e rematada por três torres, a do meio mais alta e todas com ameias. Tem duas frestas ou janelas, que ladeiam a porta em plano superior. Quer a porta, quer as frestas podem ser de esmalte diverso. Tanto a muralha como as torres são formadas de pedras retangulares, cujos traços de separação, às vezes, são de outro esmalte.

CAUDATO. Termo que se aplica à estrela quando tem cauda, isto é um raio mais comprido, o qual é sempre posto para baixo e pode ser de esmalte diferente. É sinônimo de cometa. V. Estrela.

CAVALO. Animal sempre representado de perfil, o qual, em pêlo ou arreado, pode estar enfreado, bridado, selado, etc., e ter as mãos no ar. V. Espantado e Empinado.

CENTAURO. Figura mitológica, que se representa de perfil, com a metade da frente de homem e a traseira de cavalo. Quando está armado de arco diz-se sagitário.

CENTRO. É o ponto correspondente ao cruzamento dos traços do esquartelado e lugar da peça principal.

CERCEADO. Diz-se da flor-de-lis que não tem a metade direita ou a esquerda que está cerceada à direita ou cerceada à esquerda. V. flor-de-lis e meia flor-de-lis.

CEVADO. Termo que se aplica ao lobo quando está com a sua presa, representada por um pequeno cordeiro que ele segura pelos dentes e tem lançado sobre a espádua. A presa pode ser de esmalte diverso, o que é sempre necessário indicar.

CHAMA. Peça isolada e atributo de outras, que se denomina, também, flama.

CHAPÉU DE ROMEIRO. Tem a aba larga, levantada na frente ou de algum dos lados, conforme se indicar. Pode estar ornado de vieira.

CHAVE. Quanto à forma, pode ser vulgar ou mourisca, devendo-se neste caso indicá-lo. A sua posição normal é em pala, com o palhetão voltado para o flanco direito, posto para baixo ou para cima. Se duas chaves têm as suas argolas passadas uma pela outra estão encadeadas.

CHAVE MOURISCA. Menos trabalhada do que a chave vulgar, quer na argola, quer no palhetão, que não é formado por aba ligada à haste, mas por outra haste mais curta, recortada, paralela à principal na qual entronca na sua parte superior. V. Chave e Encadeado.

CHEFE. É a parte superior do escudo, que também se chama alto do escudo. Igualmente se designa por chefe a peça honrosa que se situa no mesmo lugar, tendo de largura uma terça parte da altura do escudo, a qual se firma nos flancos e no bordo superior. Pode, neste caso, ser de largura diversa. V. Chefe (em).

CHEFE (EM). Quer esta expressão significar que as peças referidas estão colocadas no chefe do campo, isto é, no terço superior.

CHEIO. Quando as peças mostram somente um bordo do esmalte de que se indicam ser e a parte interior é de outro, diferente porém do campo, aparentando estar uma peça menor dentro daquelas, dizem-se cheias do segundo. V. Vazio.

CHOCALHADO. Se o boi, o touro ou a vaca tiverem chocalhos de esmalte diferente, dizem-se chocalhados dele.

CHOUPA. Peça pontiaguda, também chamada ferrão, que existe no centro da rodela e na extremidade da haste da bandeira e das armas que a possuem.

CHOUPADO. Indica este termo que a rodela tem a choupa ou ferrão de esmalte diferente.

CIDADE. A sua representação é feita por um aglomerado de casas, entre as quais se vêem um ou dois campanários, tudo cercado por muralha ameiada, com portas e seteiras.

CINTA ou CINTO. Designação do cinturão militar, que na armaria se usa posto a todo o comprimento, com uma fivela na ponta e, a pouca distância dela, uma passadeira ou passador. A ponta oposta, terminada em ângulo, tem um ornato metálico e junto dela há alguns furos, feitos na linha média longitudinal. A fivela, a passadeira e a ponta metálica podem ser de esmalte diverso do da correia, estando neste caso a cinta guarnecida dele.

CISNE. Representando-se nadante, deve-se mencionar esta circunstancia. Pode ser coleirado, mas a sua coleira tem a forma de um coronel invertido, com as pontas terminadas em pérolas.

COBERTO. Termo que se usa para indicar que a torre tem cúpula pontiaguda, acima das ameias. Nas torres redondas é cônica e nas quadradas piramidal. Significa também esta palavra que a taça ou redoma tem tampa.

COLEIRADO. Forma de indicar que certos animais como o cão, o cisne, o leão, o leopardo, tem coleira ou coroa enfiada no pescoço, estando neste caso aquela ave. É necessário aludir sempre à circunstância de o animal estar coleirado, o que, às vezes, é de esmalte diverso, assim como pode a coleira ter fivela, exceto quando for de galgo, e de outro esmalte.

COLUBREADO. É semelhante ao ondado, porém, com as curvas e mais acentuadas, pois as daquele não ultrapassam um terço da largura da peça. Aplica-se o termo a peças estreitas como filetes, bastões e outras, de um só esmalte e bordos formados por linhas sinuosas côncavo-convexas, paralelas. Quando se diz que a banda ou outra peça honrosa de primeira ordem é colubreada, a sinuosidade não se marca nos bordos, que continuam retos, mas por uma linha colubreada que as divide longitudinalmente em duas partes, de esmaltes diversos.
COMETA, Significa o mesmo que estrela caudata. V. Estrela e Caudato.

COMPOSTO. Aplica-se o termo às peças honrosas formadas de quadrados de esmaltes alternados, postos numa única tira. Também se usa para indicar que o selvagem tem uma pele ou cinto de folhas que lhe tapam as partes vergonhosas.

COM RAÍZES. Expressão que se emprega para indicar o esmalte das raízes, quando estas são de outro diverso do da árvore ou planta respectiva. E sinônimo de arrancado.

CONTIDO. Indica que certa peça está dentro de orla, grinalda ou outra peça circundante.

CONTORNADO. Significa o mesmo que bordado.

CONTRABANDA. Assim se chama a peça de posição contrária a da banda, denominando-se também barra.

CONTRACHEFE. Pela posição oposta ao chefe se denomina contrachefe a parte inferior do escudo, chamando-se-lhe também ponta do escudo. A peça, que tem de largura máxima um terço da altura do escudo e se firma nos flancos e no bordo inferior, também se designa contrachefe ou campanha. Pode ter menor largura, denominando-se campanha diminuta ou contrachefe diminuto.

CONTRACHEFE DIMINUTO. Termo equivalente à campanha diminuta. V. Contrachefe.

CONTRAESQUARTELADO. Designação dada ao quartel do esquartelado quando está, também, esquartelado, sendo a ordem das partições a mesma que as daquele.

CONTRAFAIXADO. Quando no escudo faixado as peças são dos dois esmaltes de que ele se compõe, passando a meio do comprimento de um para o outro, não se chama faixado, mas faixado contrafaixado. O contrafaixado pode, também, entrar num escudo em que a partição é feita pelo traço do fendido ou do talhado e, então, a mudança dos esmaltes de um para o outro não se faz a meio das peças, mas seguindo a linha da partição e nestes casos se diz, respectivamente, fendido, faixado contrafaixado, ou talhado, faixado contrafaixado.

CONTRAVEIRADO. Termo equivalente a veirado contraveirado, mas de maior emprego do que este. Pode ser de quaisquer esmaltes. V. Veiros.

CONTRAVEIROS. is o mesmo que veiros contraveiros e expressão mais usada do que esta. V. Veiros.

COPA. Nome de vaso ou taça semelhante ao cálix litúrgico, peça que pode estar com tampa e, então, se diz coberta. V. Redoma, seu sinônimo.

CORDÃO DE S. FRANCISCO. Figura em alguns brasões um cordão, com nós, de esmalte variável, que se designa por cordão de S. Francisco e cuja posição tem de ser indicada.

CORDEIRO. Filho do carneiro e da ovelha, representado sem chavelhos e no demais como os carneiros.

CORNUTO. Se os chavelhos dos animais são de esmalte diferente, o que é vulgar, dizem-se cornutos dele.

COROA ANTIGA. Formada por um aro com quatro ou cinco pontas alongadas, triangulares, que saem dele.

COROA DE LOURO. Circular, como a usada pelos imperadores romanos.

COROADO. Significa que está encimado por uma coroa.

COROADO A ANTIGA. Os bustos dos reis e rainhas, de águias, leões, leopardos, etc., são coroados com coroa antiga, pelo que se emprega a referida designação.

CORPO HUMANO. E representado como guerreiro, vestido de armas brancas.

CORONEL. Designação que se dá às coroas dos títulos, a começar no de duque até ao de barão. A sua representação é: duque, com oito florões, dos quais somente se vêem cinco; marquês, quatro florões, sendo visíveis três, que se encontram separados entre si por pontas com três pérolas postas em roquete; condes, dezesseis pérolas grandes no alto das pontas, mas de que se vêem, apenas, nove; visconde, quatro pérolas grandes, estando três a vista, as quais alternam com pérolas menores, postas em pontas mais curtas; barão, aro com virolas nos bordos, no qual se enrola em diagonal, como banda heráldica, um fio de péro1as, do qual se vêem três voltas, eqüidistantes. Todos os coronéis têm um aro, como o dos barões, porém sem o fio de pérolas, mas todos com uma fieira de pedras preciosas posta ao meio, paralelamente aos bordos, de um extremo ao outro. As pedras acham-se engastadas em peças com forma de losango os rubis - e em feitio de paralelogramo - as esmeraldas - postas alternadas, com uma pérola pequena a separá-las. Somente se vêem cinco engastes com duas esmeraldas e três rubis. Os florões existentes nos coronéis dos duques e dos marqueses são formados por uma folha de aipo, com uma pérola no centro. Todos os coronéis são de ouro, sendo as pérolas e as pedras preciosas representadas nas cores próprias. Fica visível nos coronéis uma parte do interior do aro, correspondente ao lado traseiro deste.

CORRENTE. Posição de cães, veados e outros animais que se representam a correr.

CORTADO. Divisão do escudo ou de qualquer partição sua, feita por uma linha horizontal que divide o campo respectivo em duas partes iguais. A mesma designação serve para indicar que uma peça está dividida horizontalmente, ao meio. Usa-se, também, para indicar que as cabeças de pessoas e animais estão cortadas em linha reta, podendo esta ser de esmalte diverso. O cortado pode ser feito por linha não reta. V. Arqueado e Bastilhado.

CORTIÇO. É a habitação das abelhas e se representa na forma antiga, vulgar, de cortiça.

COSIDO. Termo empregado como subterfúgio quando uma peça de metal assenta sobre metal ou de cor sobre cor, a fim de evitar que se dê infração das regras heráldicas. Aplicam-se apenas, às peças honrosas. As peças de sua cor não são cosidas.

COSTA. Deve ser a costela humana ou de qualquer animal, se bem que haja quem suponha ser o utensílio assim chamado que usam os sapateiros e correeiros. Representa-se com a convexidade para cima.

COTA DE ARMAS. Vestimenta de seda e bordada que era usada por cima da armadura, análoga à camisa de armas, porém de constituição e fins diversos.

COTICA. E a banda desdobrada, quando figura em número superior a quatro peças. Não tem dimensões fixas, porquanto a sua largura varia com o número; o espaço entre elas é igual à largura de cada uma. Também se chamam coticas duas ou três peças análogas à banda, mas separadas por espaços superiores à sua largura.

CRENELADO. Termo que se emprega no mesmo sentido de ameiado.

CRESCENTE. É a meia-lua que se representa montante ou seja com as pontas viradas para o chefe. Se as pontas estão para baixo diz-se invertido. Quando elas estão viradas para o flanco direito chama-se-lhe deitado e no caso inverso deitado voltado ou só voltado. Se os crescentes estão em banda ou em barra as pontas encontram-se voltadas, respectivamente, para o angulo do chefe onde termina a peça.

CRUZ. É correspondente à pala e à faixa sobrepostas perpendicularmente e atravessa o escudo todo, apoiando-se nos seus bordos, pelo que se diz firmada e, também, chã. Tem de largura, em cada uma das suas peças, a quarta parte do bordo superior do escudo. Pode ter os bordos sinuosos, circunstância indicada ao brasonar, com a forma do recorte. Se carregar outra peça não é necessário dizer que está solta, mas apenas quando assenta no campo diretamente. As variantes da cruz têm normalmente as hastes iguais. Quanto ao tamanho do pé, v. Cruz alta e elevado.

CRUZ ALTA. Tem a mesma significação que cruz elevada. V. Elevado.

CRUZ CHÁ. O mesmo que cruz firmada, isto é, apoiada nos bordos do escudo.

CRUZ DE AVIS. E a cruz da Ordem de Avis, florenciada e elevada de verde, solta.

CRUZ DE CRISTO. Emblema da Ordem de Cristo, mas que nada tem com a cruz em que Jesus morreu. Os seus braços terminam em triângulo isósceles, com a base para fora. E de vermelho, carregada de outra cruz de prata, salvo os remates dos braços. Se o campo em que assenta a cruz for de prata, basta indicar que é vazia.

CRUZ DE JERUSALEM. A insígnia da Ordem de Jerusalém é uma cruz potenteia, cantonada de quatro cruzetas.

CRUZ DE MALTA. A Ordem do Hospital ou de Malta possui duas cruzes: a que figura no escudo, o qual é de vermelho, com cruz de prata, e a que serve de insígnia ou contra-senha dos cavaleiros, pátea e duplamente aguçada.

CRUZ DE SANT'IAGO. A Ordem de Sant'Iago tem por emblema uma cruz especial, em forma de espada, terminando o punho em coração, com a ponta para o exterior, e apresenta as guardas florenciadas. E de vermelho, elevada.

CRUZ DO HOSPITAL. A Ordem do Hospital por ter a sua cabeça em Malta é, também, conhecida por Ordem de Malta, designação presentemente mais vulgarizada. V. Cruz de Malta.

CRUZ PÁTEA. Tem os braços levemente côncavos, os quais se alargam para os extremos. Pode ser solta, de pé aguçado, ou firmada, mas neste caso necessita de especificação.

CRUZ POTENTEIA. Os seus braços terminam em T. É solta e pode ter o pé aguçado.

COMETA, Significa o mesmo que estrela caudata. V. Estrela e Caudato.

COMPOSTO. Aplica-se o termo às peças honrosas formadas de quadrados de esmaltes alternados, postos numa única tira. Também se usa para indicar que o selvagem tem uma pele ou cinto de folhas que lhe tapam as partes vergonhosas.

COM RAÍZES. Expressão que se emprega para indicar o esmalte das raízes, quando estas são de outro diverso do da árvore ou planta respectiva. E sinônimo de arrancado.

CONTIDO. Indica que certa peça está dentro de orla, grinalda ou outra peça circundante.

CONTORNADO. Significa o mesmo que bordado.

CONTRABANDA. Assim se chama a peça de posição contrária a da banda, denominando-se também barra.

CONTRACHEFE. Pela posição oposta ao chefe se denomina contrachefe a parte inferior do escudo, chamando-se-lhe também ponta do escudo. A peça, que tem de largura máxima um terço da altura do escudo e se firma nos flancos e no bordo inferior, também se designa contrachefe ou campanha. Pode ter menor largura, denominando-se campanha diminuta ou contrachefe diminuto.

CONTRACHEFE DIMINUTO. Termo equivalente à campanha diminuta. V. Contrachefe.

CONTRAESQUARTELADO. Designação dada ao quartel do esquartelado quando está, também, esquartelado, sendo a ordem das partições a mesma que as daquele.

CONTRAFAIXADO. Quando no escudo faixado as peças são dos dois esmaltes de que ele se compõe, passando a meio do comprimento de um para o outro, não se chama faixado, mas faixado contrafaixado. O contrafaixado pode, também, entrar num escudo em que a partição é feita pelo traço do fendido ou do talhado e, então, a mudança dos esmaltes de um para o outro não se faz a meio das peças, mas seguindo a linha da partição e nestes casos se diz, respectivamente, fendido, faixado contrafaixado, ou talhado, faixado contrafaixado.

CONTRAVEIRADO. Termo equivalente a veirado contraveirado, mas de maior emprego do que este. Pode ser de quaisquer esmaltes. V. Veiros.

CONTRAVEIROS. is o mesmo que veiros contraveiros e expressão mais usada do que esta. V. Veiros.

COPA. Nome de vaso ou taça semelhante ao cálix litúrgico, peça que pode estar com tampa e, então, se diz coberta. V. Redoma, seu sinônimo.

CORDÃO DE S. FRANCISCO. Figura em alguns brasões um cordão, com nós, de esmalte variável, que se designa por cordão de S. Francisco e cuja posição tem de ser indicada.

CORDEIRO. Filho do carneiro e da ovelha, representado sem chavelhos e no demais como os carneiros.

CORNUTO. Se os chavelhos dos animais são de esmalte diferente, o que é vulgar, dizem-se cornutos dele.

COROA ANTIGA. Formada por um aro com quatro ou cinco pontas alongadas, triangulares, que saem dele.

COROA DE LOURO. Circular, como a usada pelos imperadores romanos.

COROADO. Significa que está encimado por uma coroa.

COROADO A ANTIGA. Os bustos dos reis e rainhas, de águias, leões, leopardos, etc., são coroados com coroa antiga, pelo que se emprega a referida designação.

CORPO HUMANO. E representado como guerreiro, vestido de armas brancas.

CORONEL. Designação que se dá às coroas dos títulos, a começar no de duque até ao de barão. A sua representação é: duque, com oito florões, dos quais somente se vêem cinco; marquês, quatro florões, sendo visíveis três, que se encontram separados entre si por pontas com três pérolas postas em roquete; condes, dezesseis pérolas grandes no alto das pontas, mas de que se vêem, apenas, nove; visconde, quatro pérolas grandes, estando três a vista, as quais alternam com pérolas menores, postas em pontas mais curtas; barão, aro com virolas nos bordos, no qual se enrola em diagonal, como banda heráldica, um fio de péro1as, do qual se vêem três voltas, eqüidistantes. Todos os coronéis têm um aro, como o dos barões, porém sem o fio de pérolas, mas todos com uma fieira de pedras preciosas posta ao meio, paralelamente aos bordos, de um extremo ao outro. As pedras acham-se engastadas em peças com forma de losango os rubis - e em feitio de paralelogramo - as esmeraldas - postas alternadas, com uma pérola pequena a separá-las. Somente se vêem cinco engastes com duas esmeraldas e três rubis. Os florões existentes nos coronéis dos duques e dos marqueses são formados por uma folha de aipo, com uma pérola no centro. Todos os coronéis são de ouro, sendo as pérolas e as pedras preciosas representadas nas cores próprias. Fica visível nos coronéis uma parte do interior do aro, correspondente ao lado traseiro deste.

CORRENTE. Posição de cães, veados e outros animais que se representam a correr.

CORTADO. Divisão do escudo ou de qualquer partição sua, feita por uma linha horizontal que divide o campo respectivo em duas partes iguais. A mesma designação serve para indicar que uma peça está dividida horizontalmente, ao meio. Usa-se, também, para indicar que as cabeças de pessoas e animais estão cortadas em linha reta, podendo esta ser de esmalte diverso. O cortado pode ser feito por linha não reta. V. Arqueado e Bastilhado.

CORTIÇO. É a habitação das abelhas e se representa na forma antiga, vulgar, de cortiça.

COSIDO. Termo empregado como subterfúgio quando uma peça de metal assenta sobre metal ou de cor sobre cor, a fim de evitar que se dê infração das regras heráldicas. Aplicam-se apenas, às peças honrosas. As peças de sua cor não são cosidas.

COSTA. Deve ser a costela humana ou de qualquer animal, se bem que haja quem suponha ser o utensílio assim chamado que usam os sapateiros e correeiros. Representa-se com a convexidade para cima.

COTA DE ARMAS. Vestimenta de seda e bordada que era usada por cima da armadura, análoga à camisa de armas, porém de constituição e fins diversos.

COTICA. E a banda desdobrada, quando figura em número superior a quatro peças. Não tem dimensões fixas, porquanto a sua largura varia com o número; o espaço entre elas é igual à largura de cada uma. Também se chamam coticas duas ou três peças análogas à banda, mas separadas por espaços superiores à sua largura.

CRENELADO. Termo que se emprega no mesmo sentido de ameiado.

CRESCENTE. É a meia-lua que se representa montante ou seja com as pontas viradas para o chefe. Se as pontas estão para baixo diz-se invertido. Quando elas estão viradas para o flanco direito chama-se-lhe voltado e no caso inverso deitado voltado ou só voltado. Se os crescentes estão em banda ou em barra as pontas encontram-se voltadas, respectivamente, para o angulo do chefe onde termina a peça.

CRUZ. É correspondente à pala e à faixa sobrepostas perpendicularmente e atravessa o escudo todo, apoiando-se nos seus bordos, pelo que se diz firmada e, também, chã. Tem de largura, em cada uma das suas peças, a quarta parte do bordo superior do escudo. Pode ter os bordos sinuosos, circunstância indicada ao brasonar, com a forma do recorte. Se carregar outra peça não é necessário dizer que está solta, mas apenas quando assenta no campo diretamente. As variantes da cruz têm normalmente as hastes iguais. Quanto ao tamanho do pé, v. Cruz alta e elevado.

CRUZ ALTA. Tem a mesma significação que cruz elevada. V. Elevado.

CRUZ CHÁ. O mesmo que cruz firmada, isto é, apoiada nos bordos do escudo.

CRUZ DE AVIS. E a cruz da Ordem de Avis, florenciada e elevada de verde, solta.

CRUZ DE CRISTO. Emblema da Ordem de Cristo, mas que nada tem com a cruz em que Jesus morreu. Os seus braços terminam em triângulo isósceles, com a base para fora. E de vermelho, carregada de outra cruz de prata, salvo os remates dos braços. Se o campo em que assenta a cruz for de prata, basta indicar que é vazia.

CRUZ DE JERUSALEM. A insígnia da Ordem de Jerusalém é uma cruz potenteia, cantonada de quatro cruzetas.

CRUZ DE MALTA. A Ordem do Hospital ou de Malta possui duas cruzes: a que figura no escudo, o qual é de vermelho, com cruz de prata, e a que serve de insígnia ou contra-senha dos cavaleiros, pátea e duplamente aguçada.

CRUZ DE SANT'IAGO. A Ordem de Sant'Iago tem por emblema uma cruz especial, em forma de espada, terminando o punho em coração, com a ponta para o exterior, e apresenta as guardas florenciadas. E de vermelho, elevada.

CRUZ DO HOSPITAL. A Ordem do Hospital por ter a sua cabeça em Malta é, também, conhecida por Ordem de Malta, designação presentemente mais vulgarizada. V. Cruz de Malta.

CRUZ PÁTEA. Tem os braços levemente côncavos, os quais se alargam para os extremos. Pode ser solta, de pé aguçado, ou firmada, mas neste caso necessita de especificação.

CRUZ POTENTEIA. Os seus braços terminam em T. É solta e pode ter o pé aguçado.

CRUZADO. Termo que se emprega para designar a circunstância de o mundo ter a cruz que o encima de esmalte diverso, o qual se indicará.

CRUZEIRO. Representa o vulgar cruzeiro de pedra, pelo que consta de uma cruz elevada, assente quase sempre em uma base de dois degraus.

CRUZETA. Termo que se emprega para designar tanto uma cruz mais pequena, como as cruzes soltas em número de duas ou superior. Podem as cruzetas rematar peças ou serem sustidas por estas.

CUME. Assim se designa cada um dos montes ou cabeços que formam a montanha e são arredondados na parte superior.
Se um cume estiver isolado na ponta do escudo terá de largura só um terço do bordo inferior ou pouco mais.

CUNHA. Peça utilizada para abrir fendas por afastamento de duas partes do corpo em que é introduzida. Este foi o seu fim primitivo e ela se fez de pedra, de madeira ou de metal. Encontra-se na heráldica portuguesa, como peça falante, representada na sua forma vulgar de trapézio isósceles com a base para cima. É a projeção horizontal do utensílio atrás mencionado, feita pelo lado mais largo. A base do utensílio é a parte mais estreita da peça heráldica, correspondendo a contrária ao gume.
 

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D.
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DE UM NO OUTRO. Por esta expressão se entende serem as várias peças que carregam um campo formado de uma cor e de um metal, inversamente dos mesmos metal e cor. V. Entrecambado e não se confunda com de um para o outro, designação de caso diferente.

DE UM PARA O OUTRO. Significa esta expressão o mesmo que entrecambado.

DE SUA COR. Expressão que serve para designar as peças que estão na sua cor própria, aplicando-se às montanhas, a alguns animais, vegetais, etc.

DEBRUM. Nome que toma a bordadura quando se encontra reduzida à trigésima sexta parte da largura do escudo, pois é igual a um sexto daquela peça.

DECOTE. É sinônimo de tronco esgalhado, onde se pode ver quanto lhe respeita.

DEITADO. As peças que não se encontram na sua posição habitual e têm a parte que é costume estar voltada para o chefe virada para o flanco direito dizem-se deitadas, como os crescentes e outras. Emprega-se também este termo relativamente aos quadrúpedes quando se encontram na posição de descanso, com a parte ventral assente no solo e as patas dianteiras estendidas.

DENTADO. Termo que se aplica a vários animais cujos dentes são de esmalte diverso.

DENTELADO. Quando os bordos de uma peça têm dentes curtos e miúdos, cortados em ângulo reto, sem número, lembrando dentes de serra, chamam-se dentelados. Não se aplica o dentelado a todos os bordos das peças, a não ser que estejam soltas, pois nas outras, apenas o podem ter seus bordos livres: na bordadura, o interior; no chefe, o inferior; no contrachefe, o superior, etc.; nas firmadas, os que não se apóiam nos flancos.

DENTICULADO. É formado por uma linha de saliências que lembram dentes ou ameias, separados entre si por distância aproximada à da sua largura. Na bordadura deve ficar uma peça do denticulado em cada ângulo do escudo.

DIREITA. A parte direita do escudo, contrária à do observador.

DO MESMO. Quer esta expressão dizer que é do último esmalte nomeado e se emprega para evitar repetição. Somente se aplica dentro da mesma partição do escudo e não em referência ao último esmalte existente na partição anteriormente descrita.

DOBRE-CRUZ. Peça peculiar da armaria nacional, que talvez se haja formado pelo ajustamento das seguintes: duas faixetas e uma vergueta, formando cruz de duas travessas, sem estarem, porém, sobrepostas. As seis partes do campo são iguais e estão contidas numa bordadura do mesmo esmalte das peças que formam a dobre-cruz e de largura igual à dos seus braços. Racionalmente, a dobre-cruz não inclui a bordadura, mas os antigos aplicavam o nome ao conjunto mencionado.
 

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E.
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ELEVADO. Termo aplicado às peças que têm lugar próprio no escudo, mas se encontram noutros mais acima. Quando é referido à cruz significa que ela tem o pé maior do que os braços e a cabeça.

ELMO. Peça da armadura destinada a proteger a cabeça, usada na armaria tanto sobre o escudo, a servir de ornato, como utilizada no campo, em função de peça móvel. Nesta circunstância representa-se quase sempre de perfil e cerrado, mas pode estar de frente e, então, aberto. Quando de perfil, está voltado para a direita. O elmo tem viseira, parte móvel que, descida, fecha a abertura do rosto, dizendo-se, então, que o elmo está cerrado. Pode ser guarnecido de ouro.

EMBOCADO. Se aplicado este termo à trompa para significar que o seu bocal é de esmalte diverso.

EMBOCADO EM PONTA. A peça embutida é delimitada por duas linhas curvas, com a concavidade para fora, as quais partem de um ponto situado a um terço da altura do escudo, o máximo, para o bordo inferior do mesmo, tendo os lados, pouco mais ou menos, iguais dimensões.

EMPENADO. Diz-se da flecha quando tem penas de esmalte diverso do da haste.

EMPINADO. Posição do cavalo que se firma nas patas traseiras e tem as mãos no ar. É sinônimo de espantado. V. Cavalo.

EMPOLGADEIRA o Nome de cada uma das extremidades do arco de flechas, podendo ser de esmalte diferente. V. Arco.

EMPUNHADO. Quando o punho da espada ou de outra arma branca é de esmalte diferente se aplica este termo.

ENCABADO. Que tem o cabo de esmalte diverso, aplicando-se o termo a foices, machados, martelos e outras peças que o possuem.

ENCADEADO. Argolas passadas umas pelas outras, como se fosse cadeia. V. Chave.

ENCIMADO. Quando por cima de uma peça está outra ou mais, mas não tocam naquela, se diz que ela está encimada pelas que se encontram em posição superior. Não é sinônimo de rematado.

ENCOBERTO. Há peças que já não existem no escudo, mas das quais nele ficou a marca e, por isso, se chamam encobertas. Pode-se, também, dizer que no campo está a sombra 'da peça. A peça encoberta, do mesmo esmalte do campo, mais escuro, não figura em relevo, sendo apenas marcada pelo contorno.

ENCOCHADO. Significa este termo que a flecha ou virote se encontra na corda retesada, do arco ou da besta.

ENCORRENTADO. Indicação que se faz de o urso ter uma corrente presa às ventas por um dos seus extremos, estando o outro lhe circundar o pescoço.

ENCURTADO. Está encurtada em ponta toda a peça honrosa longa, como a pala, a cruz, etc., que não toca no bordo inferior do escudo, de modo a deixar espaço para outra peça.

ENCURVADO. Tanto as peças honrosas e seus desdobramentos, como as peças longas, se fazem curva ligeira ou dobram formando determinada peça, estão encurvadas.

ENDENTADO. Estão endentadas as peças honrosas formadas por triângulos alongados, postos lado a lado, cujos intervalos correspondem a outra série igual, sendo cada uma delas de seu esmalte. No caso de o chefe ser endentado pode ter um só esmalte por os dentes entrarem no campo e, portanto, este constituir o primeiro esmalte.

ENFEIXADO. Estão enfeixadas as peças longas reunidas, quando em pala ou passadas em aspa, quer se encontrem ou não atadas no meio. Aplica-se o termo a espigas de trigo, lanças, setas, etc.

ENFIADO. Encontram-se enfiadas as peças de contorno circular, como os anéis, as coroas e outras que são atravessadas por uma peça longa, como espada, lança, etc.

ENFREADO. Este termo é próprio do cavalo com freio, devendo-se indicar se é de esmalte diferente. V. Cavalo.

ENGOLIDO. O mesmo que abocado.

ENRISTADO. Se o braço que segura a lança a sustenta em posição horizontal ela encontra-se enristada.

ENTRE. Serve esta palavra para indicar que a peça à qual se aplica se encontra ladeada por outras duas, diferentes dela.

ENTRECAMBADO. Quando uma peça assenta sobre dois campos, um de cor e outro de metal, e ela é inversamente de metal e de cor, diz-se entrecambada. Não é sinônimo da expressão de um no outro, mas significa o mesmo que de um para o outro.

EQUIPOLADO. O xadrezado de três tiras de três pontos, formando nove quadrados, chama-se equipolado. É o xadrezado mais simples.

ERGUIDO E ABERTO. Significa o mesmo que espalmado. V. Mão.

ESCOVA. Representa-se na forma oval, com cabo, que tem, às vezes, uma correia na ponta. Talvez não fosse sempre este o modo de a figurar.

ESCUDETE. É a designação aplicada ao escudo heráldico quando figura nas armas como peça móvel e representa-se de frente, plano.

ESCUDO. Peça em que assentam todas as que formam quaisquer armas, sejam de família, de corporação ou de domínio. A sua forma variou com o tempo e com as regiões. Não evolucionou igualmente em todos países. Os mais difundidos são o escudo francês e o inglês. Aquele tem o bordo inferior reto, de cantos arredondados e ponta no meio; este, perfeitamente igual na parte inferior, diverge na superior por ter a linha do bordo do chefe prolongada e unida às dos flancos por um segmento retilíneo, formando, portanto, dois triângulos, um a cada lado dos flancos. O escudo mais usado em Portugal e adotado oficialmente é o boleado ou flamengo, que termina na parte inferior por um semicírculo. Para os eclesiásticos usa-se o escudo optado e para as senhoras em lisonja. Se o escudo figura nos brasões como arma defensiva, é desenhado e descrito assim; se representa escudo de armas, é peça plana e chama-se escudete. Qualquer das formas indicadas tem proporções próprias.

ESMALTE. Genericamente dá-se aos metais cores e peles que se aplicam ao campo e às peças o nome de esmaltes. Compreendem os metais o ouro e a prata; as cores o vermelho, o azul, o verde, o negro e a púrpura; e as peles os arminhos e os veiros. Neles se inclui também a carnação, embora não seja cor, assim como as cores naturais, que se encontram em iguais condições. Rigorosamente, só são esmaltes as cinco cores apontadas. V. De sua cor.

ESPADA. Arma branca vulgarmente representada em pala, desembainhada, com a ponta para cima, pelo que se deve indicar a posição quando for diversa. Está empunhada de outro esmalte quando o punho não é do mesmo que a lâmina
e guarnecida se têm as guarnições de esmalte diferente.

ESPALMADO. Indica-se que está espalmada a mão completamente aberta, vista do lado da palma. Pode-se, também, dizer erguida e aberta.

ESPANTADO. Diz-se do cavalo que se apóia nas patas de trás e tem as mãos no ar. É o mesmo que empinado. V. Cavalo.

ESPIGA. Representa a do trigo e quase sempre agrupada, formando feixes ou gavelas.

ESPIGUILHADO. As peças espiguilhadas têm os bordos formados por linhas sinuosas, em semicírculos côncavos, isto é com as cavidades para fora, no que difere do canelado.

ESQUARTELADO. É uma das partições do escudo, formada por dois traços perpendiculares aos bordos e que se cruzam no centro do mesmo.

ESQUERDA. Designação da parte esquerda do escudo, contrária à do observador.

ESTENDIDO. Quando as aves têm as asas completamente abertas e as suas pontas viradas para o alto dizem-se estendidas.

ESTOQUE. Assim se denomina a espada que tem a lâmina comprida, reta e muitíssimo estreita, geralmente de secção prismática. Tal como a espada, pode ser empunhada e guarnecida de um ou mais esmaltes diversos da folha.

ESTRELA. Vulgarmente a estrela é representada com cinco pontas, número que por ser ordinário não precisa de indicação, mas pode ter mais, devendo-se, então, mencioná-lo. Também se apresenta na forma de cometa, pelo que se chama estrela caudata.

ESTRELA CAUDATA. IS o mesmo que cometa. V. Estrela e Caudato.

ESTRELA RELUZENTE. Dá-se este nome à estrela que entre cada duas pontas tem raios pequenos e salientes, formados por segmentos de reta.

ESTREPE. É sinônimo de abrolho e nome dado na antiga linguagem militar a certa peça defensiva.
 

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F.
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FAIXA. Peça honrosa cuja largura é igual à de um terço da que tiver o campo e se encontra posta horizontalmente, a meio do mesmO e firmada nos flancos. Quando de menor dimensão ou desdobrada em número superior a quatro toma nomes diferentes. V. Burela, Divisa e Faixeta.

FAIXETA. Nome que toma a faixa reduzida à terça parte da largura ordinária ou seja um nono da que tem o campo, não podendo carregar este em número superior a uma.

FEIXE. É o molho de espigas e pode ser ou não atado de esmalte diverso. Tem por sinônimo gavela.

FENDIDO. Partição do escudo feita por uma linha reta que une o ângulo direito do chefe ao ângulo esquerdo da ponta. Qualquer peça dividida em duas partes por uma linha na posição da que faz o fendido se diz, por analogia, também fendida.

FERRADO. Qualquer peça móvel que tenha ferragens ou ornamentos de metal se diz ferrada, se eles forem de esmalte diverso.

FERRÃO. Assim se chama um ferro semelhante ao da lança, que se representa sem haste. Dá-se nome igual à choupa existente no meio da rodela.

FIGURADO. Se a arruela ou o besante se encontra carregado de qualquer peça diversa da cruz diz-se que está figurada.

FILETE. Nome que se dá às peças honrosas reduzidas à sua largura mínima, que é um sexto da ordinária, devendo-se indicar a peça da qual provém. Também é designação de um traço negro quase sempre posto em barra, indicativo de bastardia. As peças honrosas que têm os bordos livres guarnecidos de um filete de esmalte diverso dizem-se perfiladas.

FIRMADO. Qualquer peça que se apóia em um ou em mais bordos do escudo, como as imóveis, estão firmadas, mas também o podem estar, extraordinariamente, algumas peças móveis.

FIVELA. Figuram as fivelas como peças móveis ou fazendo parte de cintas e são, em geral, redondas. Quando se empregam como peças móveis, o fusilhão deve estar virado para o flanco direito. Tanto a forma da fivela, como a posição do fusilhão se tem de indicar, se não forem as apontadas acima.

FLAMA. Usa-se quer como peça móvel, isolada, quer como existente noutras peças, por exemplo o facho, as brasas, as fogueiras, as bocas de fogo da artilharia e, também, envolvendo ou saindo de outras peças como castelos, etc. Nestes últimos casos as flamas ou chamas não têm forma própria, mas se estiverem isoladas são semelhantes ao cálice do cravo, arredondadas na base e divididas em três línguas na parte de cima, sendo de ouro ou de vermelho ou de ambos os esmaltes conjuntamente.

FLANCOS. Os lados do escudo designam-se por flancos, direito e esquerdo, não correspondendo à direita e esquerda do observador, mas às posições contrárias, pois o escudo abrigava o homem que o segurava pela parte de trás e por isso, identificava-se com o possuidor. A direita deste fica na esquerda do escudo, quando visto de frente, e a esquerda na direita da mesma arma defensiva.

FLANQUEADO. Termo que se aplica ao campo que nos flancos tem duas peças curvas, adossadas, com a convexidade voltada para o centro, e cujos extremos terminam nos ângulos dos respectivos flancos, as peças distanciadas no centro de um terço da largura do escudo. Por o campo ser a parte central se começa por ele na descrição. O flanqueado pode ser feito também por duas linhas retas em vez de curvas, estando as mesmas afastadas dos flancos uma quarta parte da largura do escudo. Neste caso chama-se flanqueado em pala. O flanqueamento pode, ainda, ser feito de um só lado e, assim, se diz flanqueado a direita ou flanqueado a esquerda, ,conforme a uma ou outra parte está o traço que divide o campo. Também existe o flanqueado em aspa, que corresponde ao franchado, com a diferença de o primeiro quartel e seu contrário não se poderem descrever isoladamente por constituírem um campo em que existe uma peça assente nos dois. Se as armas contidas no escudo flanqueado em aspa se prolongam do primeiro quartel para o quarto e do segundo para o terceiro é indiferente descrevê-las como flanqueado em aspa ou como franchado.

FLECHA. A posição normal é com a ponta voltada para cima. Se estiver com ela para baixo diz-se invertida. Se a flecha não for de um só esmalte deve-se indicar o do ferro e o das penas, em separado. A flecha posta no arco diz-se encochada.

FLOR-DE-LIS. Representação estilizada de uma flor composta de três pétalas lanceoladas, a do meio posta a direito e as laterais curvadas para fora, e de outras três menores que ficam em situação oposta, estando os dois grupos separados por uma travessa, de extremos arredondados. Tanto se usa completa, como em parte, podendo faltar a metade da direita ou da esquerda, assim como só a pétala do meio ou as três inferiores. V. Cerceado, meia flor-de-lis, pé cortado e florentina.

FLOR-DE-LISADO. Significa o mesmo que florenciado.

FLORENCIADO. Termo que se aplica às peças cujos extremos terminam por flores-de-lis de pé cortado e àquelas que são bordadas por elas.

FLORENTINA. Se a flor-de-lis tem botões entre as pétalas superiores chama-se florentina, pois é a que figura nas armas da cidade de Florença.

FLORIDO. Se a planta tem flores de esmalte diferente do resto diz-se florida dele.

FOLHA. As várias folhas de plantas que entram na armaria põem-se geralmente em pala com os pecíolos para baixo, dizendo-se invertidas quando estão com eles na posição contrária. Se as nervuras forem de esmalte diferente acham-se as folhas nervadas dele. Quando as folhas figuram no pé dos frutos dizem-se estes com pé e folhas. A folha ou lâmina da espada é a sua parte principal, sendo o punho e as guarnições secundários.

FOLHA DE GOLFÃO. É cordiforme. Pelo seu feitio tem sido, muitas vezes, chamada coração, confundindo-a, de certo, com este órgão.

FOLHADO. Quando o fruto ou a flor tem as suas folhas de outro esmalte, está folhado desse esmalte.

FORMA (EM). Posição da lebre que está sentada nas patas traseiras.

FOTA. É um pequeno turbante que cobre a cabeça de mouro, atado atrás, ficando as pontas pendentes.

FOTADO. Quando a cabeça de mouro está coberta de fota diz-se fotada, o que pode ser de um ou mais esmaltes.

FOUCINHA. Instrumento agrícola de roçar que se representa na forma comum. E o mesmo que foice.

FRANCHADO. Partição do escudo formada por dois traços diagonais que se cruzam no centro. A numeração dos campos faz-se por linhas horizontais, a começar no chefe e a partir do flanco direito.

FRANCO-CANTÃO. Peça de iguais dimensões que as do cantão e que corresponde a este, usando-se, apenas, nos cantões do chefe. Somente é necessário indicar o lado a que corresponde quando fica no ângulo esquerdo. V. Cantão.

FRANCO-QUARTEL. Corresponde esta peça ao quartel, tendo as mesmas dimensões ou seja a quarta parte do escudo. Usa-se, apenas, nos quartéis do chefe, particularmente no primeiro. Somente se indica a posição do segundo, isto é do esquerdo. V. Franco-cantão, cujas dimensões são menores.

FRESTA. Nome das aberturas pequenas que ladeiam a porta de qualquer fortificação. É o mesmo que janela. 

FRETADO. Constitui o fretado o campo que tem quatro, seis ou oito coticas, que se entrelaçam, postas em banda e em contrabanda, pelo que é sempre necessário indicar o número de peças. Também se dizem fretadas as peças honrosas de primeira ordem, que estão carregadas de aspas que a ocupam em toda a largura, postas lado a lado, tocando-se pelos
extremos.

FRUTADO. Quando as árvores têm frutos de esmalte diverso encontram-se frutadas dele. O carvalho não se diz frutado, mas landado. Tem por sinônimo frutífero e com frutos.

FRUTOS. Empregam-se também isolados das árvores respectivas, como qualquer peça móvel. Se apresentarem folhas no pedúnculo deve-se dizê-lo pela expressão com pé e folhas, indicando o esmalte se for diverso. Quando estão soltos representam-se com o pedúnculo voltado para o chefe, se não for indicada outra posição. Se os frutos pendem de um ramo diz-se que estão sustidos. As árvores representadas com frutos de esmalte diferente são frutadas, frutíferas, landadas ou com frutos dele.

FUGIDA (EM). Designam-se por esta expressão as cabeças de animais que figuram em número superior a um, quando se representam a olhar em direções opostas.

FURADO. As peças pequenas, tais como as bilhetas e as lisonjas, têm, às vezes, um furo redondo no centro, pelo qual se vê o campo ou o esmalte da peça em que assentam e, por tal circunstância, se dizem furadas.

FURIOSO. Termo aplicado ao touro quando está com as patas dianteiras no ar.

FUSELA. Peça análoga à lisonja, porém mais estreita e comprida. Em geral empregam-se unidas a formar bandas, faixas, palas, etc.

FUZIL. É o nome dado às peças que, passadas umas pelas outras, formam cadeia. São de forma alongada, com os lados paralelos e arredondados nos extremos. Se estiverem quebrados falta-lhes o terço médio de um dos lados, geralmente o de fora. Também se representam torcidos e abertos, isto é em forma da letra S maiúscula, o que necessita de indicação especial, mas, nesta forma, só se empregam soltos. A dimensão do fuzil é sensivelmente inferior a metade da largura do campo, quando é segmento de cadeia. O tamanho pode variar conforme a circunstância.

FUZILHÃO. É o espigão da fivela, que atravessa o cinto por um dos seus furos, quando a peça a que pertence está aplicada na correia fechada.
 

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G.
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GALGO. Cão de raça especial, quase sempre corrente e posto de perfil. Quando tem coleira ela não é afivelada.

GALO. Esta ave pode-se encontrar em circunstancias varias: ter o bico aberto e estar com a pata direita levantada para combate. Se tiver a crista e a barba de esmalte diversa deve-se mencionar na descrição.

GATO. Representa-se passante ou apoiado nas patas traseiras e visto de frente. 

GAVELA. S o mesmo que feixe de espigas.

GÉMINA. Duas faixas ou duas bandas, quando são muito estreitas e estão afastadas uma da outra por distância igual à largura que tem cada uma delas, chamam-se uma gémina. No escudo podem existir duas ou três, mas neste caso devem estar separadas umas das outras por espaços iguais ao que ocupa cada uma. A sua posição habitual é em faixa, pelo que não precisa ser especificada senão quando estiver noutra.

GIRÃO. Peça móvel de forma triangular, cuja base se apóia em um dos bordos do escudo e o vértice no centro.

GIRONADO. Campo formado por oito girões de dois esmaltes empregados alternadamente. A divisão do campo corresponde ao esquartelado e ao franchado, sobrepostos.

GOLFINHO. Este animal representa-se de perfil, com o lombo encurvado para fora.

GOTA. Peça análoga à lágrima, todavia mais esférica do que ela.

GOTADO. Termo que significa carregado de gotas.

GUARDA. Na espada e outras armas brancas as guardas são as partes que protegem as mãos que as empunham, representando-se, geralmente, por uma peça atravessada na base, cilíndrica ou não, de pontas com feitios diversos. As guardas podem ser de esmalte diferente do resto. V. Guarnecido.

GUARNECIDO. Palavra que tem sentidos vários: se aplicada a aves de rapina, como o açor, o falcão e outras, significa que elas têm piós, cascavéis, caparão e alcandora do esmalte que se indica, diverso do corpo; se referente à espada e armas com punho, quer dizer que têm as respectivas guardas de outro esmalte; se relativa ao elmo, como peça móvel, quer tanto a viseira como o bordo inferior, possuem virola de esmalte diferente; se ao bordão, que as maçanetas são de outro esmalte; e se à coleira ou ao cinto, que a sua fivela e as de mais peças não são de esmalte igual.
 

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H.
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HASTE. A peça longa que sustenta a bandeira e termina na parte superior por um ferro em forma de lança e na inferior por outro em choupa, permitindo cravá-la no solo; assim como serve de suporte ao ferro da alabarda, da lança ou de outra arma comprida.

HASTEADO. Termo que se emprega para dizer que as armas compridas têm o ferro sustido por uma haste de esmalte diverso, empregando-se, também, para designar o suporte da bandeira, quando ele é de esmalte diferente.

ILUMINADO. Termo usado para indicar que as frestas das fortificações são do esmalte mencionado, diverso do restante da peça.
 

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I.
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INCLUSO. Usa-se este termo para indicar que uma peça se encontra dentro de outra, quer esta seja inteira como o anelete, quer composta de várias, como a quaderna de crescentes, três peças unidas em triângulo ou quatro em quadrado ou lisonja.

INVERTIDO. Consideram-se invertidas todas as peças que estão com a parte habitualmente voltada para o chefe virada para a ponta, isto é que sofreram uma rotação de 1800 em torno de um eixo horizontal. Aplica-se o termo aos crescentes, às flechas, às bolotas e a outros frutos, às folhas e mais peças, mas não se pode dizer que o golfinho, quando a cabeça e a cauda estão voltadas para o chefe, se encontra invertido. Também serve para as asnas. V. Golfinho.
 

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J.
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JANELA. Abertura parietal, destinada a iluminar o interior dos castelos, figurando na muralha, aos lados da porta, em plano um pouco superior. Pode ser de esmalte diverso do da construção em que se encontra. Tem por sinônimo, fresta.
 

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L.
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LADEADO. Quando há três peças alinhadas em faixa e a do meio, ou seja a principal, é diferente, diz-se ladeada pelas outras duas. Se a pala, a banda, a contrabanda ou os desdobramentos de qualquer delas se encontrar entre peças secundárias, em número de duas ou superior, e estas dispostas paralelamente à principal e com simetria a um e outro dos seus lados, diz-se, também, que a peça principal está ladeada das outras.

LAGARTO. Animal que somente se representa na armaria portuguesa posto de perfil e passante.

LÁGRIMA. A sua forma difere da que tem a gota. Principia no alto e vai-se alargando, ondulantemente, para baixo até acabar em parte arredondada.

LAMBEL. Tanto figura no escudo como diferença de filho segundo, posto no chefe, como servindo de peça. Compôe-se de uma parte horizontal, a travessa, da qual descem pendentes ou pingentes, partes triangulares postas com o vértice para cima. Não é preciso indicar quantos são os pendentes, exceto se ultrapassarem o número normal: três.

LAMPASSADO. O leão, o leopardo, o lobo e o urso, assim como a águia, representam-se sempre com a língua de fora, longa, mais larga e arredondada na ponta, a qual, ao sair da boca ou do bico, desce, formando curva, para terminar voltada para cima, à maneira de cachimbo. Se a língua dos animais referidos é de esmalte diverso diz-se que estão lampassados deste. É termo diverso de linguado.

LANÇA. A forma do ferro desta arma é a de coração muito estreito e alongado. Começa-se a descrever pelo ferro, dizendo-se hasteada de certo esmalte, quando a haste diverge do ferro.

LANÇADA. Representa-se a ferida causada pela lança em forma de crescente pequeno e quase sempre a gotejar sangue.

LANÇO DE MURALHA. Dá-se este nome ao troço de parede, com ameias, lavrada e tendo os extremos firmados em uma torre ou num torreão. Pode, como todas as peças lavradas, sê-lo do mesmo esmalte ou de diverso.

LANDADO. Se o carvalho tem frutos de esmalte diferente encontra-se landado deste.

LANDE. Vulgarmente chamada bolota, é fruto d0 carvalho e do sovereiro e tanto pode figurar na árvore, como servir de peça móvel. É composta de uma cápsula denominada casculho, a qual possui pequeno pedúnculo voltado para cima. Quando tem o pé virado para baixo encontra-se invertida. Se o pé for comprido e com folhas deve-se mencionar esta circunstância.

LAVRADO. Termo que se antepõe ao esmalte de que são as arestas da pedraria das obras de fortificação: castelo, torre, torreão, muralha.

LEÃO. Este animal é o mais vulgar da armaria, sobretudo hispânica, em virtude de na Península estar o antiqüíssimo reino de Leão, do qual ele é peça única e, aparentemente, falante. A sua posição habitual é rampante e figura-se sempre de perfil. Tem a cauda formando curva com a convexidade para fora, lançada junto das costas do animal e com um tufo de pêlos na ponta, em feitio de borla, a qual fica voltada para fora. V. Aleopardado.

LEBRE. Representa-se corrente ou sentada nas patas traseiras, estando neste caso em forma.

LEGENDA. Compõe-se de uma ou várias palavras que formam divisa ou sentença, postas no escudo, geralmente em orla ou sobre a bordadura, a qual se lê, nestes casos, a começar do ângulo direito do chefe, seguindo para o esquerdo com passagem pela ponta. As letras ficam com a sua parte inferior virada para fora. É necessário, ao descrever a legenda, apontar o esmalte das letras.

LEOPARDO. Representa-se geralmente este animal passante, mas pode estar rampante, sempre como o leão, porém com a cabeça vista de frente. V. Aleonado.

LETRA. A letra que entra nos brasões como peça desenha-se à antiga.

LEVANTADO. Apenas se aplica este termo ao cão e ao galgo, que têm as mãos no ar, e ao urso, quando está na mesma posição.

LINGUADO. Termo que se aplica aos animais cuja língua é de esmalte diferente e não se dizem lampassados. V. Lampassado.

LINHA. Assim se designa a parte do lambel de que partem os pendentes. É sinônimo de travessa.

LISONJA. Peça conhecida na Geometria por losango, cujo número máximo no escudo é de dezesseis. Pode ser cheia, vazia ou furada.

LOBO. Animal que não tem posição própria. Pode ser lampassado, dentado e estar cevado.

LUZEIRO. Significa grande estrela, nome que se dá quando a estrela figura em tamanho muito superior ao vulgar, tomando quase todo o campo. V. Estrela.
 

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M.
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MAÇA DE ARMAS. Arma de guerra antiga, formada por uma bola de ferro eriçada de pontas, a qual tem um cabo que permite manejá-la.

MAÇANETA. Nome aplicado a qualquer peça esférica ou semelhante que serve de ornato ou remate nos extremos de outra, em particular da cruz, ou no meio dos raios de carbúnculo. Deve-se sempre dizer qual a forma da maçaneta se ela não for esférica.

MAÇANETADO Está maçanetada a peça em cujas extremidades há uma ou mais maçanetas. Aplica-se este termo em geral à cruz que tem maçanetas nas pontas e aos raios de carbúnculo, ornados com elas a meio. É necessário mencionar o número e o esmalte das maçanetas.

MACHADO. É o machado do lenhador, peça vulgar, que se compõe de uma parte de ferro em forma de cunha, de gume mais ou menos largo, em arco de circo, cuja base engrossa, tendo um orifício no centro, aberto paralelamente à lâmina, o olho, por onde se enfia o cabo de madeira. Embora haja quem diga que na armaria portuguesa é sempre o machado de guerra que figura no escudo, tanto os livros antigos de armaria como todas as peças armoriadas patenteiam o machado do lenhador quando a descrição não lhe chama de guerra ou acha de armas.

MACHADO DE GUERRA. E o mesmo que acha de armas, arma branca semelhante à alabarda. V. Acha de armas e Encabado.

MALHETE. Pequeno malho ou martelo de ferro, formado por uma peça em feitio de barrilete segura por um cabo de secção cilíndrica, com o extremo contrário àquela mais grosso.

MANILHA. Termo que se emprega como sinônimo de anelete ou memória.

MANOPLA. Nome por que se designa a luva usada com a armadura, a qual é formada de chapas metálicas e tem canhão alto.

MANTEL. Emprega-se termo no terciado em mantel, significando esta palavra a parte de cima, em tal partição. V. Terciado em mantel.

MANTELADO. Está mantelado de outro esmalte o escudo de cujo campo apenas se encontra visível uma parte triangular que assenta, de lado a lado, no bordo da ponta e tem o vértice um pouco abaixo do bordo do chefe. O mantel ou mantelado é a parte superior dele, com as suas duas pontas, que se estende até os ângulos inferiores e é do segundo esmalte. É diverso do terciado em mantel e do chapado.

MÃO. Figura no escudo habitualmente em pala, com a palma voltada para o observador, espalmada e com os dedos virados para o alto. Representa-se geralmente a mão direita, mas se não for esta é necessário indicá-lo.

MAR. Representa-se por água posta na ponta do campo e quase sempre de prata, aguado de azul ou inversamente. É movente do bordo inferior. Se a água estiver agitada diz-se que a peça nele assente está batida por um mar.

MATA. Significa moita e representa-se por um grupo de pequenos arbustos, que se tocam uns nos outros. Se, por entre a folhagem, tiver flores diz-se florida.

MEIA-ÁGUIA. A partição da águia faz-se pelo traço do partido ou seja de alto a baixo e somente se aplica à águia imperial.

MEIA FLOR-DE-LIS. É uma das metades da flor-de-lis, partida verticalmente. V. Cerceado e flor-de-lis.

MEMBRADO. Diz-se das aves que têm as pernas e os pés de esmalte diverso do resto do corpo.

MEMORIA. Tem o mesmo significado que anelete ou manilha. Significa o mesmo que sancado.

MERLETA. Ave heráldica que se representa sem pés nem bico, posta de perfil.

METAL. Na armaria há, somente, dois metais: o ouro e a prata.

MOLETA. Representa a roseta da espora, figurando-se por uma estrela de seis raios, furada no centro, circularmente, por cujo orifício aparece o esmalte subjacente. Tem por sinônimo, roseta.

MONTANTE. Aplica-se este termo quando as peças se encontram voltadas para o chefe.

MOSQUETA. Nome de cada um dos pontos negros do campo de arminhos, os quais também se empregam como peças móveis, variando, então, em número e posição e podendo ser de qualquer esmalte. Sinônimo de pinta ou ponto de arminho.

MOVENTE. Estão moventes as peças que saem dos bordos ou dos ângulos do escudo e, ainda, as que saem dos traços das partições para o interior do campo, ficando somente visível uma parte delas. As peças moventes diferem das firmadas, das nascentes e das saintes.

MUNDO. A designação de mundo ou de esfera terrestre dá-se a uma peça constituída quase Sempre por uma esfera de azul, circundada por um aro de ouro, em posição horizontal, que a abrange na sua dimensão máxima e por um semicírculo do mesmo metal, que sai do centro da parte visível daquele, passando pelo alto e terminando no ponto oposto ao em que começou. Superiormente, no ponto onde passa o semicírculo, a esfera tem uma pequena cruz. Tanto o círculo máximo como o semicírculo se mostra apenas em metade, visto as peças que não são puramente heráldicas, se verem em projeção horizontal e planas. O mundo pode ser arqueado e cruzado de esmaltes diferentes.

MURO. Termo que tem igual significado ao de lanço de muralha.
 

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N.
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NADANTE. Posição dos peixes figurados horizontalmente e, também, a dos animais que nadam sobre a água, como os cisnes, etc.

NASCENTE. Quando o animal posto no campo só figura na sua metade anterior chama-se nascente. V. Sainte, cujo significado é diferente.

NEGRO. Cor heráldica representada no desenho por traços paralelos, contínuos, postos horizontal e verticalmente, cruzando o campo de um lado ao outro.

NÚMERO (EM). As peças móveis e, também algumas imóveis, figuram no escudo em número indicado, que tanto pode ser variável, como certo. Algumas, todavia, não são indicadas em número.
 

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O.
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OLHO. Os olhos humanos representam-se sempre postos de frente. Também se chama olho ao botão da rosa heráldica.

ONDADO. Podem ser ondeadas todas as peças honrosas de primeira ordem, assim como os seus desdobramentos, que neste caso, não têm os bordos retos, mas ondeados paralelamente, de modo a conservarem em todas as suas partes a mesma largura. O ondado é feito por curvas alternadas, côncavas e convexas, em número de cinco, sendo três de umas e duas de outras. Aplica-se, também, a designação de ondado a certas partições do escudo, tais como o partido, o cortado, o fendido e o talhado, se o traço que as faz é ondeado. Igualmente o podem ser o chefe e o contrachefe se as linhas da parte livre forem ondeadas.

OPOSTO. Ângulo que está na diagonal de um dos do chefe, designado no brasonar do escudo.

ORLA. Peça idêntica à bordadura e também igual à sexta parte da largura do escudo, a qual fica paralela aos bordos desta, mas à distância, como se entre ela e eles existisse aquela peça. Se houver no centro do campo urna peça que esteja encerrada na orla, a distância desta aos bordos pode ser maior do que a habitual, sobretudo se houver também peças postas em orla.

ORLA (EM). Diz-se que estão em orla as peças postas no lugar que ocuparia normalmente a orla. Se forem cinco, por-se-ão quatro nos ângulos e uma na ponta; se seis, duas a cada flanco, uma no centro do chefe e outra no da ponta; se sete, uma no meio do chefe e três a cada flanco; se oito, três a cada flanco, uma no centro do chefe e outra no da ponta; se nove ou número superior, a sua distribuição será feita simétrica e eqüidistantemente. Podem, todavia, tais peças ter disposição diferente, mas, neste caso, é preciso mencioná-la.

ORNADO. E sinônimo de guarnecido.

OURO. Este metal representa-se no desenho por ponteado miúdo e na pintura,se não houver tinta própria, pelo amarelo.

OVELHA. Fêmea do carneiro, representada sempre pascente. V. Carneiro.
 

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P.
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PALA. Esta peça honrosa de primeira ordem põe-se no meio do escudo, em posição vertical, eqüidistante dos flancos e mede de largura um terço da do campo. Se for desdobrada em número inferior a cinco conserva o mesmo nome, mas daí para cima chama-se vergueta. Em qualquer dos casos a sua distribuição deve ser feita de modo que todas as partes visíveis do campo sejam iguais à largura de uma das peças, mas quando se tratar de palas e houver peças entre elas, os espaços, se for necessário, poder-se-ão alargar.

PALADO. Quando o campo se encontra dividido em seis ou oito partes, de alto a baixo e todas da mesma largura, de metal alternando com cor, chama-se palado. Todas as peças se acham no mesmo plano e ao brasonar é necessário dizer o seu número e os esmaltes de que se compõe, a partir do flanco direito. As peças imóveis e móveis podem ser paladas, de harmonia com o atrás referido. No palado de peças móveis admite-se o número ímpar de peças, especialmente usado nos animais do timbre, e, também, o palado de três esmaltes, pelo que as peças devem ser em múltiplo deste número e a descrição indicar os esmaltes pela ordem do seu emprego.

PARADO. Quando o quadrúpede está firmado nas quatro patas, diz-se parado. V. Corrente, passante e rampante.

PARTIÇÃO. Não é somente a ação de partir ou dividir o escudo, mas as próprias partes em que se decompõe. São partições principais o partido, o cortado, o fendido e o talhado, que, por combinação, originam outras, as subpartições. Estão são: o terciado em pala, em faixa, em banda e em barra; o esquartelado, o franchado e o gironado.

PARTIDO. Diz-se partido o campo que uma reta saída do meio do chefe para o da ponta divide em duas partes.

PASCENTE. Posição dos animais figurados a pastar, sendo a normal da ovelha.

PASSADEIRA. Peça do cinto, que consiste em uma tira metálica, estreita, unida pelas pontas e achatada, que corre ao longo da correia e serve para segurar a parte que fica solta depois de estar preso na fivela.

PASSADO. Emprega-se este vocábulo no sentido de trespassado.

PASSANTE. Posição normal do leopardo, mas que se aplica a outros animais, como cabras, lobos, etc., representados na ação de andar, isto é, com três pernas assentes no chão e a posterior direita um pouco levantada, todas elas mostrando movimento. V. Parado.

PÉ. Designação aplicada a partes das plantas como o pecíolo, o pedúnculo e o caule das flores, a qual serve para as indicar quando as peças a que pertencem se representam habitualmente sem elas ou quando são de esmalte diverso. Usa-se, também, para marcar lugar, quer dentro do campo, quer de uma peça que o carrega, significando a parte inferior.

PÉ AGUÇADO. É o das cruzes pátea e potenteia, quando o seu pé habitual se substituiu por outro, que, a partir do cruzamento, vai diminuindo de largura gradualmente até ficar aguçado.

PÉ CORTADO. Diz-se da flor-de-lis que é representada sem as três pétalas de baixo. v. Flor-de-lis.

PÉ ONDADO. É o contrachefe ondado de prata e de azul ou de qualquer dos mencionados esmaltes, aguado do outro.

PEÇA. Há grande variedade de peças heráldicas que se dividem em categorias, excluídos os animais, vegetais, objetos de uso vulgar e os relativos à natureza, arte, indústrias, etc., que não pertencem àquelas, mas se admitem nas peças móveis, isto é as não firmadas nos bordos do escudo ou que neles se apóiam. De modo geral são peças tudo que assenta no campo do escudo ou sobre outras peças.

PEÇA MÓVEL. É a que não sai dos bordos do escudo ou neles está firmada. A indicação da forma como se encontram dispostos no campo é dada por certos termos adequados, mas em alguns casos também se faz por números, referentes a linhas horizontais e a começar do chefe para a ponta. Assim, seis estrelas poderão estar 2, 2 e 2 ou 3 e 3 ou, ainda 3, 2 e 1.

PENDÃO. Insígnia militar representada por uma bandeira triangular, alongada, que pode ter uma ou mais pontas. A ponta pode ser, também, arredondada. V. Bandeira e Pendão.

PENDÃO MOURISCO. É o pendão cuja ponta é arredondada.

PERFILADO. São perfiladas as peças honrosas que têm um filete de outro esmalte nos bordos livres.

PICADO. Aplica-se o termo às peças que estão semeadas ou picadas de grande número de pontos de esmalte diferente.

PINTA DE ARMINHO. Por esta expressão se designa a mosqueta.

PLENO. Aplica-se ao campo liso e inteiro, sem peças sobre ele.

PONTA. A parte inferior do escudo se chama ponta ou pé do mesmo. Dá-se, também, este nome à peça determinada por duas linhas retas que partem do meio do bordo do chefe e terminam nos ângulos da ponta, tendo na base metade da largura do campo. Pode haver mais pontas no escudo, ficando as bases lado a lado e ocupando todo o bordo da ponta. Põem-se, também, em faixa, em banda e em contrabanda, sendo necessário mencionar de qual dos flancos são moventes ou se do ângulo direito ou esquerdo da ponta. Outros significados tem a palavra, como de cada uma das ramificações das hastes do veado, cujo número é preciso indicar se for peça móvel, e como os cinco bicos que na rosa heráldica alternam com as folhas. É também, sinônimo de raio da estrela.

PONTA EMBUTIDA. Forma equivalente a embutido em ponta.

PONTE. É variável o número dos arcos da ponte, que deve estar firmada nos flancos por meios-pilares. Normalmente, o número dos arcos é de três e a sua grossura apercebe-se por cada um deles deixar ver o interior, do seu lado direito. Esta peça é construída de pedra aparelhada e as guardas sobem dos flancos para o centro.

PONTO. Cada uma das peças que constituem os Veiros, o veirado, o equipolado e o xadrezado.

PONTO DE ARMINHO. Emprega-se como sinônimo de mosqueta ou pinta de arminho.

POSTO EM. Expressão pela qual se indica não a posição da peça, mas o lugar que ela tem relativamente a outras.

POTENTEIA. É forma de cruz. V. Cruz potenteia.

PRATA. Este metal não tem, no desenho, representação correspondendo à parte livre de traços ou pontos. Na pintura, quando se não dispõe de tinta metálica própria, simboliza-se a tinta branca.

PUNHO. Parte da arma branca por onde se segura. V. Empunhado.

PÚRPURA. Cor que na armaria corresponde à ametista carregada ou seja ao roxo. É freqüentemente confundida com a púrpura cardinalícia, clara e rosada e, até, com o vermelho escuro, supondo-se que púrpura é palavra sinônima. No desenho representa-se por traços retos, contínuos, paralelos e eqüidistantes, postos em diagonal, da esquerda para a direita, de bordo a bordo.
 

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Q.
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QUADERNA. Quando quatro crescentes se encontram apontados se chama quaderna ao seu conjunto.

QUADRIFÓLIO. A flor imaginária de quatro pétalas arredondadas, apontadas ao centro em cruz, denomina-se quadrifólio.

QUARTEL. Assim se chamam várias das partições do escudo, embora com propriedade a denominação somente caiba a cada uma das quatro partes em que tiver sido dividido pelos traços do partido e do cortado. A designação abrange, porém, só as partições quadrangulares iguais umas às outras, que estejam em número de mais de quatro e as formadas pelo esquartelado em aspa.
 

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R.
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RAIO. Assim se denomina cada uma das pontas da estrela e, também, cada um dos traços existentes entre as pontas da estrela reluzente. Têm igual nome as pontas retilíneas ou ondeantes do sol, assim como os reflexos do carbúnculo. O raio meteorológico representa-se por uma linha em ziguezague, sempre movente de um bordo do escudo ou de linha de partição. Dirige-se para baixo e termina em farpão.

RAIOS DE CARBÚNCULO. Esta peça representa a pedra preciosa conhecida por carbúnculo, com os seus raios. É semelhante aos raios de uma roda, que se reúnem numa peça em forma de anel, posta no centro. Os raios terminam em flor-de-lis de pé cortado e podem ser maçanetados no meio. O número habitual de raios do carbúnculo é de oito, mas pode ser diverso, o que necessita de indicação especial.

RAMPANTE. Posição dos animais quadrúpedes quando estão de pé, com as patas dianteiras levantadas, tendo as patas inferior e superior direitas mais altas do que as do lado esquerdo, com as garras e boca abertas. Para o leão é a sua postura normal.

RAMPANTE CONTRA. Expressão que se emprega para dizer que um animal rampante se apóia pelas patas dianteiras em determinada peça. V. Trepante.

REALÇADO. Significa o mesmo que perfilado ou contornado e o realce consta de um traço de outro esmalte.

RECATADO. Quando a ave se figura com a cabeça metida debaixo da asa está recatada.

RECRUZETADO. Aplica-se o termo à cruz que tem as pontas em forma de cruz.

RÉDEA. Parte do arreio do cavalo, que se costuma, geralmente, representar estilizada e que, se for de esmalte diverso do restante se deve indicá-lo, assim como a circunstância de o animal ter rédeas.

REDOMA. Nome que se dá, também, à taça ou cálix, podendo ser coberta. É sinônimo de copa.

REFLUENTE. Se a ribeira está posta em banda e se divide em duas no ângulo superior do escudo, refletindo para os seus lados, chama-se refluente.

REMATADO. Qualquer peça que tem outra posta superiormente, a qual toca nela. Não se deve confundir com encimado.

REQUIFADO. Estão requifadas as peças honrosas cujos bordos são formados por linhas quebradas, aos bicos, de ângulos retos.

RIBEIRA. Dá-se também este nome ao rio.

RIO. À banda ou faixa ondeada de prata e de azul ou, apenas, de um dos referidos esmaltes chama-se rio. A sua largura habitual é a da faixa ou a da banda e ocupa o seu lugar. Quando está em banda pode ser refluente. V. Ribeira, nome que igualmente tem, e refluente.

ROCHA. Figura-se como uma rocha alcantilada. Também se lhe dá o nome de rochedo.

ROCHEDO. Termo que se emprega como sinônimo de rocha.

RODA DE NAVALHAS. Representa-se com oito raios, a cada um dos quais responde no aro uma navalha curva, pontiaguda, Diz-se armada do esmalte destas se ele for diferente.

RODA DE SANTA CATARINA. Assim chamada por ser o instrumento com que esta Virgem foi supliciada no Monte Sinai. V. Roda de navalhas.

RODELA. Escudo de guerra, circular, com a superfície convexa, virola e seis arcou que se cruzam no centro, deixando livres secções iguais. Tem um ferrão ou choupa no cruzamento dos arcos. Emprega-se de perfil, com o ferrão voltado para a direita do escudo.

ROMÃ. Fruto que se representa com a coroa para cima e pode estar com os grãos a vista, dizendo-se então rachadas do esmalte que se indicar.

ROQUE. Peça do jogo de xadrez semelhante a uma flor-de-lis de pé cortado e cerceada da folha do meio. V. Flor-de-lis e cerceado.

ROSA. Na armaria emprega-se como peça a rosa debaixo de duas formas: a heráldica e a vulgar. A rosa heráldica consta de cinco pétalas, estando uma virada para o chefe, e de cinco pontas postas alternadamente com as pétalas, nos seus intervalos, as quais parece representarem os espinhos. As pétalas são arredondadas e no centro da rosa está um botão ou olho, o qual pode ser de esmalte diverso das pétalas, dizendo-se abotoadas dele. Também a rosa pode ser com pontas ou apontada de outro esmalte se as pontas forem de diverso. Quando se trata da rosa vulgar representa-se com pé e folhas. Se o pedúnculo for de outro esmalte diz-se sustida dele, se as folhas, folhada.

ROSETA. É sinônimo de moleta, parte da espora com a qual se pica a montada.

ROQUETE (EM). Expressão que se aplica para indicar a posição de três peças quando uma está em cima e duas em baixo, formando triângulo, ou seja a que se designa numericamente por 1 e 2. Corresponde à que teriam se estivessem sobre uma asna reduzida a um terço da largura habitual, chamada roquete, de onde veio, portanto, o nome à posição das peças. Também se aplica a mesma expressão a três peças enfeixadas, que se encontrem em posição semelhante.
 

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S.
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SAGITÁRIO. Termo que se aplica ao centauro se está provido de arco.

SAINTE. Estão saintes os animais que aparentam sair de uma peça do escudo, dos quais se vê, apenas, a parte anterior, sendo os casos mais vulgares o de saírem da faixa ou do virol do elmo. É termo diverso de nascente.

SANCADO. É o mesmo que membrado.

SALTANTE. Posição equivalente a rampante, aplicável ao bode, à cabra, ao carneiro e ao unicórnio, quando se figuram com as mãos no ar.

SAPATA. Calçado em feitio de bota, que foi usado pelos guerreiros, de cano que ia até pouco acima do artelho.

SAUTOR (EM). Posição de cinco peças móveis, ou nove, assentes no campo em forma de aspa, pelo que também se diz em aspa.

SEGURA. Ferramenta de tanoeiro em forma de pequena machada.

SELVAGEM. Figura humana, do sexo masculino, que se representa nua, de carnação, com grande cabeleira e uma pele de animal ou folhas de parra postas em volta da cintura, das quais se diz composta. Usa-se como tenente do escudo e como timbre, mas neste caso apenas sainte.

SEMEADO. Quando o campo está cheio de peças pequenas dispostas em linhas desencontradas, com simetria, diz-se que está semeado dessas peças, que nunca são em número certo. O semeado habitualmente faz-se pondo as peças no cruzamento de sete traços verticais com seis horizontais, que servem apenas para a construção, número todavia variável conforme a altura das peças. Junto dos bordos do escudo já não cabem peças inteiras, mas só meias-peças e nos ângulos quartos de peças.

SEREIA. Figura de mulher, com a metade inferior de peixe. É posta de frente ou de perfil, segurando um espelho oval na mão direita e um pente na esquerda.

SELADO. Palavra que indica ter o cavalo sela, a qual pode ser do mesmo esmalte ou de diverso.

SENTADO. Aplica-se este termo ao cão ou outro animal, quando se apóia na parte traseira e tem as patas anteriores fincadas no chão.

SERPE. A serpe é figura fantástica. A sua representação faz-se de perfil e posta em pala. Tem cabeça e corpo de serpente, asas de morcego, cauda retorcida e voa para a parte direita. Não é sinônimo de serpente.

SERPENTE. É a cobra vulgar, a qual, normalmente, se figura posta em pala e ondeante, podendo ter outras posições, como enroscada.

SERPENTIFERO. Termo que se aplica às peças cujas extremidades acabam em duas cabeças de serpente postas em fugida. Usa-se muito nas asas das caldeiras.

SOBRECARREGADO. Significa que a peça carregada tem uma ou mais sobre as que a carregam.

SOBREPOSTO. Aplica-se este termo ao escudete posto sobre o centro do escudo ou os traços de qualquer partição, assim como noutro lugar indicado e as suas dimensões normais são um nono do campo ou seja a largura da pala e a da faixa. Pode, às vezes, ter medidas um pouco maiores. O termo também se emprega quanto à pala, à faixa, à banda e outras peças postas À sobre o campo e as peças que o carregam. Neste caso são seus sinônimos atravessante e brocante sobre tudo.

SOBRE TUDO. Tem o mesmo significado que sobreposto, aplicando-se também, nas expressões atravessante e brocante sobretudo. V. Sobreposto.

SOL. Astro que se representa por um disco onde está figurado, apenas por esboço, um rosto humano, do qual saem, alternadamente, pontas retilíneas e pontas ondeantes, em número de dezesseis no total. IS todo de ouro. O centro do sol pode, em vez de feições humanas, ter peças heráldicas. As suas pontas chamam-se raios.

SOLTO. Encontram-se soltas todas as peças honrosas de primeira ordem que se não acham firmadas nos bordos do escudo, do qual os seus extremos devem estar distanciados um duodécimo da largura do campo. Se estiverem no campo mais de uma cruz ou de uma aspa não é preciso indicar que são soltas visto não se poderem encontrar firmadas.

SOMBRA. Não tem esmalte próprio, pois é a marca deixada no campo ou na peça em que se encontra pela que lá deve ter estado, representando-se por leve contorno e em tom mais escuro do que o do fundo.

SUPORTANDO. Emprega-se no mesmo sentido de sustendo.

SUPORTE. Peça de função igual à do tenente. O termo aplica-se, porém, apenas aos animais. V. Tenente.

SUSTENDO. Quando por cima de uma peça se encontra outra, que toca nela, diz-se que a de baixo está sustendo esta.
É sinônimo de suportando.

SUSTIDO. Qualquer peça assente sobre outra que se encontra em posição inferior se diz sustida desta. A peça comprida, posta em pala e entre outras duas que dão idéia de a estarem a suster, quer sejam animais ou não, diz-se sustida por elas. Se entre o chefe e o campo houver um filete de esmalte diferente, aquela peça estará sustida do esmalte deste. Significa, ainda, que as flores têm hastes de esmalte diverso.
 

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T.
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TACHÃO. Prego de tacha grande, usado em correaria.

TALHADO. Partição do escudo feita por uma linha reta que vai do ângulo esquerdo do chefe ao direito da ponta. Se a linha for ondeada chama-se talhado ondado. Pode ser, também, talhada qualquer peça analogamente dividida em duas partes.

TELHADO. Termo pelo qual se indica estar telhada do mesmo esmalte ou de diverso a torre coberta.

TENENTE. Empregam-se como sustentáculos do escudo figuras de vária natureza. Quando não se trata de animais essas figuras chamam-se tenentes. São normalmente duas, uma a cada lado do escudo. Quando é uma só deve-se dizer a qual dos lados fica.

TERCIADO. Este termo indica que o escudo se encontra dividido em três partes iguais, que podem ser em pala, em faixa, em banda ou em barra, conforme a posição dos dois traços paralelos empregados, e têm diversos esmaltes. V. Terciado em mantel, o qual não é dividido em partes iguais.

TERCIADO EM MANTEL. Partição feita por um traço reto e vertical que liga o meio do bordo superior com o centro do campo, de onde saem dois traços para os ângulos da ponta, em curva e contracurva, semelhando o conjunto destes o colchete tipográfico. V. Mantel.

TIMBRE. É a parte das armas que se coloca sobre o virol do elmo ou em cima do coronel, a qual, muitas vezes, é uma peça do escudo tomada no todo ou em parte.

TIRA. Termo usado para indicar as carreiras de quadros do xadrezado e as dos veiros e do veirado. Também se aplica à bordadura, para designar cada uma das partes em que estiver dividida por traço paralelo aos seus bordos, em toda a extensão.

TORRE. Nome de obra de fortificação, que se emprega para indicar as que rematam os castelos ou se encontram a proteger-lhes os ângulos, a qual também é aplicada à construção isolada, normalmente redonda, ameiada no alto com porta e frestas. Quando faz parte de um castelo só tem frestas. A torre pode ser quadrada, o que se deve mencionar, alta ou torreada, coberta e telhada, assim como rematada por um cata-vento ou outra peça.

TORREADO. A torre que tem outra mais pequena a rematá-la é torreada. Os dois corpos estão divididos por um parapeito com ameias e cada um deles tem duas frestas.

TOUCADO. Aplica-se o termo à cabeça de mouro cujo turbante é de esmalte diverso.

TOURO. Análogo ao boi na representação, porém com a cauda levantada e lançada para a esquerda. Figura-se de perfil. Pode ser passante ou furioso. V. Boi.

TRAVESSA. Nome dado à parte do lambel, de que se saem os pendentes. Chama-se, também, linha. V. Lambel.

TREPANTE. Termo aplicado aos animais que, estando rampantes, parecem trepar pela peça a que se encontram apoiadas as patas.

TRIFOLIO. Flor de três pétalas pontiagudas, sem pecíolo. Não corresponde a nenhuma espécie existente.

TROMPA. Representa-se a trompa de caça, normalmente, com os extremos voltados para cima e o bocal para a parte direita. Se estiver noutra posição deve-se indicá-la na descrição. Pode ser embocada e virolada de esmalte diferente. Assim também, o dos cordões, se ela os tiver. É seu sinônimo buzina.

TRONCO. Referência feita ao caule das árvores, que somente se menciona se for de esmalte diferente. Pode figurar isolado como peça. V. Tronco esgalhado e Decote.

TRONCO ESGALHADO. Assim se chama o tronco de árvore sem copa, nem folhas, com os ramos aparados, vendo-se, apenas, troços deles, junto do tronco. Pode estar no escudo em qualquer posição, mas nunca se encontra firmado. Tem por sinônimo decote.

TUDO DE. É expressão usada para simplificar a descrição quando várias peças diferentes são do mesmo esmalte, evitando, portanto, repetir o seu nome.
 

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U.
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UM SOBRE O OUTRO. Quando duas peças iguais se encontram uma acima da outra se diz que estão uma sobre a outra.

UNHADO. Aplica-se esta designação aos bovídeos, cujas patas ou unhas são de esmalte diverso do corpo.

UNIDO. As peças postas ao lado umas das outras, dizem-se unidas quando se tocam ou justapõem. V. Apontado.

URSO. Figura-se normalmente passante, mas pode estar levantado, agachado ou trepante. Representa-se sempre de perfil, quer se mostre inteiro, quer se figure só a cabeça. Pode, ainda, estar açamado e encorrentado.
 

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V.
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VACA. Figura-se semelhantemente ao animal macho. V. Boi.

VAZIO. As peças que têm o interior aberto, permitindo ver por ele o campo, são vazias. Emprega-se este termo especialmente às cruzes.

VEIRADO. É igual no desenho aos veiros, mas de qualquer metal e cor. Quanto à sua aplicação segue as normas aplicadas aos veiros. E termo mais habitual do que veirado contraveirado, que significa o mesmo. V. Veiros.

VEIROS. IS uma das peles usadas em heráldica, a qual se representa por tiras horizontais, que se compõem de peças em forma de campânulas, colocadas lado a lado e unidas, formando o desenho de umas, postas da mesma posição, o das outras, que ficam invertidas. Tanto os pontos que têm a base para baixo, como os outros ficam no mesmo plano, sendo aqueles de azul e estes de prata. Nos extremos das tiras há meios-pontos, dos esmaltes correspondentes. Normalmente formam o campo de veiros cinco tiras, as ímpares com cinco pontos de azul e as pares com quatro da mesma cor e dois meios-pontos. As peças, tanto as imóveis como as móveis, podem ser de veiros, mas estas se figuram de modo diverso, conforme elas forem. O chefe, o contrachefe e a banda têm só uma tira de veiros, igual às tiras ímpares; as faixas em número de duas serão iguais à primeira e à segunda tira e quando em número de três iguais à primeira, à segunda e à primeira tira, mas com sete peças de cor; a pala, tem as tiras normais com um ponto nas ímpares e dois meios-pontos nas pares; a banda e a barra tal qual a pala, mas na direção das peças em que se encontram; a cruz como a pala e a faixa; e todas as demais peças como se fossem recortadas de um campo de veiros. Quando os veiros não forem de cinco tiras, tem de se indicar o número destas. Por os veiros terem esmaltes próprios, não é necessário mencioná-los na descrição.

VEIROS CONTRAVEIROS. São iguais aos veiros no desenho e nos esmaltes, mas variam na disposição dos pontos de cor, que nas tiras pares têm o mesmo número que nas ímpares, opondo-se pelas bases os da primeira e segunda e os da terceira e quarta. Podem ser de contraveiros a faixa, a pala, a banda, a contrabanda, a aspa e outras, da mesma forma que se fossem de veiros, excetuando-se o chefe, o contrachefe e a cruz, nas quais se não podem representar os veiros contraveiros. Não é preciso na descrição dizer os esmaltes dos contraveiros por os ter peculiares. 
V. Veiros.

VENÁBULO. Arma de arremesso cujo ferro tem a ponta em farpão e não possui penas no extremo da haste, no que diverge da flecha. Põe-se sempre em pala.

VERDE. Representa-se pela tinta na cor de esmeralda viva e no desenho por segmentos de reta, contínuos, lançados diagonalmente do ângulo direito do chefe ao seu contrário, postos paralelos e eqüidistantes, de bordo a bordo.

VERGUETA. É o desdobramento da pala quando em número superior a quatro. V. Pala.

VERMELHO. Cor que na escala de tons corresponde ao vermelhão e no desenho se representa por traços retos paralelos, verticais e contínuos que vão de bordo a bordo do escudo ou das peças, postos eqüidistantemente.

VESTIDO. O campo que esteja carregado de uma grande lisonja firmada nos bordos constitui o vestido, pois o campo propriamente dito é a parte central, que, à primeira vista se afigura ser a peça indicada. Por isso, a descrição começa por esta parte. Emprega-se tal termo para indicar o esmalte das vestes da figura humana, embora incompleta, quando elas são de esmalte diverso. Usa-se, ainda, quando é necessário apontar o esmalte das velas do navio por ser diferente o casco da embarcação. 

VIEIRA. Nome que na armaria se aplica à concha, o qual é, aliás, bastante usado, mesmo na linguagem comum. Esta peça representa-se com a convexidade posta para o lado de fora e a charneira para cima. Raramente se usa com a concavidade para fora, o que é necessário indicar. As pontas da charneira podem ser de esmalte diferente.

VILENADO. Os animais quadrúpedes, em particular o leão e o leopardo, devem ter o órgão sexual, pois não só parece lógico mostrar que são machos, mas porque assim se procedia antigamente. Com a decadência dos últimos séculos, tal parte do corpo desapareceu das representações heráldicas. Ela é, contudo, assinalada especialmente nos casos em que diverge no esmalte do resto do corpo dos animais, que então, se dizem vilenados daquele que tiver.

VIROL. Peça da qual sai o paquife e que se põe sobre o elmo, no cimo, e modernamente se emprega também sobre a parte mais elevada do coronel de barão, de visconde, de conde, de marquês e de duque, para nele assentar o timbre.

VIROLADO. Quando o bordo da campânula da trompa é de esmalte diverso diz-se virolada deste.

VIROTE. Flecha curta. Tem por sinônimo xara.

VOANTE. Se qualquer ave é representada em posição semelhante à do vôo diz-se voante ou volante.

VOLANTE. Usa-se este termo como sinônimo de voante.

VOLTADO. Estão voltadas as peças viradas para o flanco esquerdo e também os animais, pois se encontram na posição contraria à natural.
 

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X.
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XARA. Termo que tanto se aplica no sentido de virote, como no de uma planta assim chamada, a esteva.

XADREZADO. Chama-se assim o campo dividido em quadrados de um metal e de uma cor, que alternam formando xadrez, o qual se compõe normalmente de 42 pontos dispostos em sete tiras horizontais de seis quadrados cada uma. As peças do xadrezado encontram-se todas no mesmo plano. Raras vezes os esmaltes do xadrezado são um metal e duas cores. Nestes casos, ao metal segue-se a primeira cor, depois a segunda e assim sucessivamente. Ao descrever o xadrezado deve-se dizer o número das tiras e o dos pontos de cada uma ou o das peças em pala e das em faixa. Os crescentes são de xadrezado concêntrico, isto é de tiras curvas, paralelas ao bordo exterior da peça, tendo, portanto, o mesmo centro que ela, de cuja circunstância tomou o nome. O xadrezado mais simples chama-se equipolado.
 

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